O custo de vida em Belo Horizonte apresentou alívio nesta segunda prévia de fevereiro, mas o consumidor ainda sente o peso de serviços básicos e da alimentação nas ruas. Os dados divulgados nesta sexta-feira (20/2) pela Fundação Ipead, vinculada à UFMG, mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-BH) registrou alta de 0,68%.
O gerente de pesquisa da Fundação Ipead, Eduardo Antunes, detalha como o índice perdeu força na comparação com a primeira semana do mês.
Desaceleração geral
“Esse ABH subiu 0,68 na segunda prévia de fevereiro de 2026. Esse resultado representou uma desaceleração em relação à quadra de semana anterior, que havia fechado em 0,98. No período, né, neste ano de 2026, o IPC já cresceu 1,38% e o acumulado nos últimos 12 meses, está em 4,03%”.
Fim da trégua nos alimentos
Apesar do cenário geral mais brando, a queda nos preços da alimentação acabou. O impacto maior veio diretamente das mesas de bares e restaurantes. Eduardo pontua: “O setor de alimentação, nessa segunda medição, subiu 0,94% terminando assim com o ritmo de queda que havia apresentado até a semana anterior. É, neste período, o principal destaque com relação à alimentação, para ela ter ficado novamente positiva, foi a alta na alimentação fora da residência. Com uma elevação de 1,37% puxado principalmente por bebidas em bares restaurantes que apresentaram uma expressiva elevação de 5,48%. Também destacamos os produtos não alimentares que neste período, apesar em menor nível, também subiram 0,62%”.
O que puxou a conta para cima (e para baixo)
Fora do setor alimentício, os reajustes típicos de início de ano e os serviços lideraram as altas, enquanto as viagens ofereceram o contrapeso que segurou a inflação.
“O empregado doméstico foi o principal destaque com relação a a subida da inflação, né? Foi o que mais ajudou a inflação a ficar positiva neste período. A alta de 3,28% representou a maior contribuição para a inflação neste período. Seguido da refeição fora de casa com uma alta de 2,06. O IPTU que ainda continua incidindo com uma alta de 2,16% e o ônibus urbano com uma alta de 4,32%. Por outro lado, nós destacamos que as excursões neste momento ajudam a assegurar a a inflação na cidade de BH, com uma queda de 7,6 51%”.
Peso na baixa renda (IPCR-BH)
O reflexo destes aumentos, no entanto, é mais severo para a população que ganha de um a cinco salários mínimos. Para essa faixa, o pesquisador explica como o transporte e as tarifas públicas devoram o orçamento: “É, destacamos também o IPCR, que é o índice de preço ao consumidor restrito da cidade de Belo Horizonte. Na segunda medição, ele apresentou uma variação de 0,65%, tendo como principais destaques para essa alta o ônibus urbano, né, a mesma elevação de preço com relação ao IPCA, mas que pesa muito mais no bolso do consumidor para essa parcela da da população, seguido da tarifa de água que te apresentou uma alta de 4,93%”.
