PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

OAB cita ‘natureza perpétua’ e pede fim de inquérito das fake news

Siga no

Documento assinado pelo presidente, Beto Simonetti, foi enviado ao STF. (Valter Campanato/Agência Brasil)

Compartilhar matéria

Em ofício encaminhado nesta segunda-feira (23/2) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu o encerramento de investigações de “duração indefinida”, em especial o chamado “inquérito das fake news”.

O documento é assinado pelo presidente, Beto Simonetti, e demais integrantes do Conselho Federal da OAB, bem como pelos presidentes das 27 secções estaduais e distrital da entidade. O texto expressa “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração, em especial do Inquérito n.º 4.781 [fake news]”.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O texto pede que “sejam adotadas providências voltadas à conclusão dos chamados inquéritos de natureza perpétua, em especial daqueles que, por sucessivos alargamentos de escopo e prolongamento temporal, deixam de ostentar delimitação material e temporal suficientemente precisa”.

O inquérito das fake news foi aberto em 2019 por ordem do então presidente do Supremo, Dias Toffoli, de ofício, isto é, sem provocação externa, seja do Ministério Público ou de qualquer outra instituição ou pessoa. O ministro Alexandre de Moraes foi então escolhido como relator, sem sorteio ou distribuição regular.

Brasília (DF), 05/10/2023 - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti, durante o seminário 35 anos da Constituição Federal, no STF. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 05/10/2023 – O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti,.e demais integrantes do Conselho Federal da OAB assinaram o ofício enviado ao STF. Foto-arquivo: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na ocasião, a medida, considerada incomum, em especial devido à maneira como foi definida a relatoria, foi justificada como sendo necessária para apurar ameaças e ataques virtuais que tinham os ministros do Supremo como alvo. Ao longo dos anos, contudo, foram abertas dezenas de linhas de investigação contra centenas de pessoas, com inúmeras prorrogações do prazo para o encerramento do processo.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

No ofício, a OAB reconhece que o inquérito “nasceu em contexto excepcional”, e que por isso seus procedimentos heterodoxos acabaram sendo validados pelas instituições em “circunstâncias extraordinárias”, mas que por esse mesmo motivo a apuração deve ser conduzida “com estrita observância da excepcionalidade que lhe deu origem”.

“O Inquérito n.º 4.781, instaurado em março de 2019, aproxima-se de sete anos de tramitação, o que, por si só, recomenda exame cuidadoso sob a ótica da duração razoável dos procedimentos e da necessária delimitação de seu objeto”, observa o texto.

A OAB apresenta ainda como justificativa para o pedido de encerramento do processo os “relatos recentes sobre a inclusão, no âmbito do mesmo procedimento, de pessoas e fatos que, embora possam merecer apuração rigorosa por canais próprios, não se apresentam de forma imediatamente aderente ao núcleo originário que justificou a instauração do inquérito”.

O texto faz referência indireta à operação deflagrada neste mês pela Polícia Federal (PF), por ordem de Moraes, no âmbito desse inquérito, contra quatro servidores da Receita Federal que foram apontados como suspeitos de vazar informações fiscais sigilosas de ministros do Supremo e seus familiares. Em decisão sigilosa, foram determinadas medidas como uso de tornozeleira eletrônica e afastamento das funções.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O ofício menciona ainda o “tom intimidatório” que, ao ver da OAB, é alimentado pela persistência de um quadro de pouca clareza quanto ao objeto e à duração de inquéritos como o das fake news, algo que seria “incompatível com o espírito democrático, republicano e institucional consagrado pela Constituição de 1988”.

A ordem cita ainda ser indispensável proteger o livre exercício profissional de jornalistas e advogados, conforme proteção conferidas pela Constituição a esses profissionais.

“A advocacia não pode atuar sob ambiente de incerteza quanto aos limites da atuação investigativa estatal, sobretudo em temas que envolvam sigilo profissional, acesso a dados e preservação da confidencialidade da relação entre defensor e constituinte”, afirma o documento.

Ao final, a OAB solicita que seja marcada uma audiência com Fachin para que tais preocupações sejam expostas em pessoa pelos representantes da ordem.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Compartilhar matéria

Siga no

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Notícias

Anvisa reforça que retatrutida ainda é experimental e alerta para riscos à saúde

Búfalo de estimação entra em piscina e passa sete horas ‘relaxando’ no RS

Lei libera spray de pimenta para mulheres; o que muda agora

Lula sanciona lei que proíbe produção e venda de foie gras no Brasil

Cenipa conclui investigação sobre queda do avião da Voepass e aponta sequência de falhas que levou à tragédia em Vinhedo

Pedidos de autoexclusão de bets crescem 7 vezes no Brasil durante a Copa do Mundo

Últimas notícias

Fagner lamenta lesão de Sinisterra e destaca esforço do colombiano para ganhar sequência

João Marcelo admite falhas do Cruzeiro e pede mais concentração após derrota para o Botafogo

Cruzeiro joga mal e perde para o Botafogo no Mineirão

Paulo Lamac critica ação do PT contra Wagner Ferreira: ‘É um ato lamentável’

Sinisterra deixa o campo chorando após sentir dores em Cruzeiro x Botafogo

Unidade Popular oficializa candidatura de Samara Martins à Presidência da República

Kaio Jorge é homenageado após completar 100 jogos pelo Cruzeiro

FGTS decide nesta terça distribuição de lucro; veja quem recebe e como calcular o valor

PSOL e Rede oficializam Áurea Carolina ao Senado e mantêm indefinição sobre apoio ao governo de Minas