A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou o alerta de que o medicamento retatrutida, voltado ao tratamento de diabetes e obesidade, ainda é uma substância experimental e não possui autorização para venda em nenhum país. O produto desenvolvido pela Eli Lilly segue em fase de testes clínicos e, até o momento, não foram protocolados pedidos de registro em agências reguladoras internacionais ou brasileiras.
O interesse global por novas terapias de perda de peso impulsionou a procura pela substância, mesmo sem a conclusão dos estudos de segurança. Resultados de testes de fase 3 com a retatrutida indicaram perda média de até 28,3% do peso corporal em 80 semanas (chegando a cerca de 30% em dois anos nos casos de obesidade mais grave), patamar próximo ao atingido em cirurgias bariátricas. Atualmente, a substância é oferecida ilegalmente em sites e tem sido alvo de apreensões por contrabando nas fronteiras do Brasil.
Registro garante segurança
De acordo com a Anvisa, o processo de aprovação exige testes rigorosos para determinar efeitos adversos e interações medicamentosas. O uso de produtos sem bula e sem controle de qualidade expõe o paciente a riscos imprevisíveis, como contaminações, impurezas e falhas graves na fabricação que podem comprometer a saúde.
O órgão destaca que o registro sanitário não é apenas uma formalidade, mas um conjunto integrado de mecanismos que avalia a eficácia e a segurança do princípio ativo. Sem essa validação, não é possível confirmar se o produto contém realmente a substância anunciada ou se os benefícios superam os riscos decorrentes do uso.
Comércio de substâncias irregulares é crime
A comercialização de medicamentos sem registro é tipificada como crime pelo Código Penal Brasileiro. Além das implicações criminais, a venda de produtos de origem desconhecida é considerada um grave risco à saúde pública, uma vez que as mercadorias operam totalmente à margem do sistema de fiscalização e controle sanitário.
A orientação oficial das autoridades é que os consumidores não utilizem, sob qualquer hipótese, produtos que não possuam o selo de aprovação da vigilância sanitária. A Anvisa informou que continuará monitorando o mercado ilegal e aguarda a conclusão dos estudos clínicos por parte do fabricante para futuras avaliações de segurança e possível liberação no mercado nacional.
