A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou nesta terça-feira (24/2) que o julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes representa uma resposta à democracia brasileira e um marco na luta contra a impunidade no país.
A declaração foi feita no início do julgamento, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa a ação penal contra o conselheiro do TCE-RJ Chiquinho Brazão, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio Rivaldo Barbosa e o ex-policial militar Ronald Paulo de Alves, acusados de envolvimento nos assassinatos ocorridos em março de 2018.
“Essa resposta que pode sair daqui hoje e amanhã é uma resposta à democracia. Não é uma resposta apenas pela Mari e pela minha família, pela família do Anderson”, afirmou Anielle. Segundo ela, nenhum crime deveria ficar impune no Brasil. “O que a família está passando hoje é uma exceção, que não deveria ser, deveria ser a regra.”
A ministra destacou que a mobilização da família tem como objetivo preservar a memória da irmã e garantir que o caso sirva de exemplo. “A gente se levanta todos os dias para dizer que essa memória é o legado. É para que se prove, para que fique de exemplo também, que nenhum crime merece ficar impune.”
Ao mencionar a possível articulação entre política, milícia e agentes públicos, Anielle afirmou que é preciso demonstrar que estruturas de poder não podem ser usadas para atentar contra a vida. “Há pessoas que ainda acham que essa tríade, quando você junta política com milícia e, infelizmente, com pessoas que estavam ali para servir o país, poderia arquitetar contra a vida deles e permanecer impune.”
Ela também fez uma reflexão sobre a desvalorização de vidas negras e periféricas no Brasil. “Os que acharam que o corpo da minha irmã seria um corpo descartável, como penso sobre muitos corpos do nosso país, sobretudo de pessoas negras, pobres, de favelas e periferias, precisam entender que não é assim”, declarou.
Para a ministra, o julgamento é um marco institucional, mas não encerra a luta por justiça. “É um momento importante, mas é a continuidade do legado e da memória de Marielle. Enquanto a gente estiver vivo, vamos fortalecer e seguir até o final.”
O julgamento
A Primeira Turma do STF começou a julgar nesta terça-feira (24/2) os acusados pelos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes e pela tentativa de homicídio da assessora parlamentar Fernanda Chaves. Eles respondem por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio.
O relator da ação penal, ministro Alexandre de Moraes, é o primeiro a votar. Em seguida, votam os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e o presidente do colegiado, ministro Flávio Dino.
O processo tramita no Supremo devido ao foro por prerrogativa de função de um dos acusados à época dos fatos. A decisão será tomada por maioria de votos e, em caso de condenação, os ministros definirão as penas.
O assassinato de Marielle e Anderson, ocorrido em 14 de março de 2018, tornou-se um dos casos mais emblemáticos da história recente do país e mobilizou organismos nacionais e internacionais na cobrança por respostas e responsabilização dos envolvidos.
