As fortes chuvas que atingem a Zona da Mata mineira deixaram um rastro de destruição e paralisia econômica. Até o momento, foram confirmadas 20 mortes na região, sendo 16 em Juiz de Fora e 4 em Ubá. Em entrevista à Rede 98, a presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Mariângela Marcon, avaliou o cenário como crítico. Segundo a dirigente, além da tragédia humanitária, o setor produtivo enfrenta um colapso logístico devido a alagamentos e quedas de barreiras que impedem o fluxo de mercadorias e de pessoas.
Nesse sentido, a interrupção das vias impactou diretamente a rotina das fábricas e do comércio. A falta de transporte público impediu que funcionários chegassem aos postos de trabalho, forçando a suspensão de atividades em diversas empresas. “O acesso dos bairros ao centro impede os funcionários de trabalhar e a entrega de mercadorias. Todo esse trabalho fica seriamente comprometido. Com menos pessoas circulando, não há que se falar em andamento normal de restaurantes e prestação de serviços”, afirmou Mariângela.
Além disso, a presidente citou exemplos práticos das dificuldades enfrentadas pelo empresariado local diante da calamidade. A suspensão das aulas e a instabilidade no fornecimento de energia elétrica pela Cemig agravaram a situação. “Meu marido, por exemplo, tem fábrica e hoje suspendeu os funcionários porque não tem ônibus para trazê-los. O serviço não consegue prosseguir. O levantamento numérico de prejuízo só virá depois que a situação se normalizar”, relatou.
Apoio humanitário e técnico
Diante da tragédia, a Fiemg Regional anunciou uma campanha de arrecadação de roupas, alimentos, remédios e água para as vítimas. O ponto de coleta inicial será na sede da entidade, na Rua Dr. José Cesário, em Juiz de Fora. Mariângela também fez questão de enaltecer o trabalho das forças de segurança, citando um resgate dramático realizado durante a madrugada. “Quero enaltecer o Corpo de Bombeiros. Fiz uma demanda a eles à 1h da manhã de uma casa desabada e foram salvas três pessoas num atendimento digno de elogio”, destacou.
Por fim, a entidade garantiu que oferecerá suporte técnico às empresas afetadas para lidar com questões burocráticas geradas pelo desastre. A equipe da Fiemg, com apoio da gerência tributária de Belo Horizonte, auxiliará em problemas como recusa de compradores e emissão de notas fiscais de mercadorias que não puderam ser entregues. O objetivo é ajudar, especialmente os pequenos negócios, a sobreviverem a este momento de crise aguda.
