Trinta anos depois da tragédia que marcou a música brasileira, os integrantes dos Mamonas Assassinas ganham um memorial permanente em Guarulhos, na Grande São Paulo. A inauguração é nesta segunda-feira (2/3), no BioParque Cemitério, exatamente três décadas após o dia que o Brasil perdeu a banda, em 2 de março de 1996.
Na semana passada, os corpos dos músicos foram exumados após um acordo entre as famílias para a cremação. Parte das cinzas foi transformada em adubo e colocada em sementes de espécies nativas da região. A ideia é que cada integrante dê origem a uma árvore diferente, que será acompanhada por uma equipe especializada.
O espaço recebeu o nome de Jardim Bioparque Memorial Mamonas e foi construído atrás dos túmulos onde os músicos estavam enterrados. As sepulturas originais serão preservadas, abertas à visitação, e vão guardar a maior parte das cinzas. A proposta, segundo os organizadores, é criar um símbolo de renovação, como se a banda “renascesse” por meio das árvores.
O memorial também terá identificação individual de cada integrante e totens com QR Code. Ao apontar o celular, os fãs poderão acessar fotos, vídeos e informações sobre a trajetória meteórica do grupo. Na última sexta-feira (27), familiares e amigos participaram de uma cerimônia reservada. A partir desta segunda, o espaço passa a receber o público.
A tragédia que parou o Brasil
O acidente aéreo aconteceu na noite de 2 de março de 1996. Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli voltavam de um show em Brasília, a bordo de um Learjet 25D fretado pela banda, quando a aeronave bateu na Serra da Cantareira, em São Paulo, durante uma tentativa de arremetida.
Além dos cinco músicos, morreram o piloto Jorge Luiz Germano Martins, o copiloto Alberto Takeda, o ajudante de palco Isaac Souto e o segurança Sérgio Porto.
Naquele momento, os Mamonas viviam o auge. O disco de estreia, lançado em 1995, vendeu milhões de cópias e transformou o grupo em um fenômeno nacional. Com letras bem-humoradas e irreverentes, emplacaram sucessos como “Brasília Amarela” e “Pelados em Santos” — músicas que, três décadas depois, continuam na memória dos fãs.