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Deputado diz ser dono de lote em que vans de hospital estavam paradas; associação que participou da compra é ligada a ele

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Raphael Martinelle/Rede 98

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A associação privada que participou da compra das três “vans consultório”, abandonadas em um lote de Contagem, é ligada ao deputado federal Léo Motta (PSL-MG). Em entrevista à Rede 98, na manhã desta sexta-feira (20) o parlamentar também afirmou ser o proprietário do terreno onde os veículos foram deixados por pelo menos cinco meses.(Veja a entrevista completa ao fim da reportagem)

Na terça-feira (17), o hospital São João de Deus, de Divinópolis, afirmou que comprou com recursos próprios os três veículos em parceria com a Associação dos Diabéticos de Contagem. De acordo com um processo trabalhista de 2016 e obtido pela reportagem da Rede 98, a associação já teve o parlamentar como tesoureiro e, na documentação, Léo Motta aparece como interlocutor da entidade na contratação de funcionários. 

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“D. P. de L. declara ter sido contratada pelo Primeiro Reclamado LÉO MOTTA para trabalhar para a segunda Reclamada ASSOCIAÇÃO DOS DIABÉTICOS DE CONTAGEM – PROJETO MOTTINHA, no período de 20/08/2013 a 20/08/2014, COM registro em Carteira de Trabalho”, mostra trecho da ação trabalhista que tramitou no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG). No mesmo processo, o parlamentar aparece como réu ao lado da associação.

De acordo com Léo Motta, a diretoria do hospital o procurou, em Brasília, em busca de entidades que pudessem fazer uma parceria para fornecer o serviço de mutirão odontológico e cirurgias crânio-faciais. “Eles me procuraram e eu, que conheço várias associações, sugeri a Associação dos Diabéticos de Contagem, que é conhecida na região e já atuou muito em serviços odontológicos”, afirmou o parlamentar, que também confirmou ser o proprietário do lote onde as vans ficaram abandonadas.

Motta ressaltou que a compra dos veículos não envolveu dinheiro público, e sim recursos próprios do hospital em meio a uma negociação privada com a associação de Contagem. Entre 2019 e 2021, o parlamentar destinou mais de R$ 5 milhões em emendas parlamentares ao Hospital São João de Deus para despesas de custeio. Nos planos de trabalho das emendas, não consta a compra de vans odontológicas

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Na terça-feira (17), reportagem da Rede 98 mostrou que as três vans, compradas em julho de 2020 e emplacadas em outubro do ano passado, estavam abandonadas, segundo vizinhos, há pelo menos cinco meses no lote. Na documentação da Prefeitura de Contagem, o terreno está em nome de um empresário falecido em 2008. O deputado disse que a situação do registro do terreno é assunto particular.

A situação também levantou questionamentos entre parlamentares de Divinópolis. O vereador Israel da Farmácia (PDT), da Câmara de Divinópolis, na tarde desta quinta-feira (19), questionou, em plenário, o fato do hospital ter comprado veículos para atendimento odontológico sendo que, na realidade, o Complexo de Saúde não oferece atendimentos de dentista.

Também nesta quinta, um grupo de vereadores de Divinópolis esteve no hospital para buscar informações sobre a parceria com a associação de Contagem. As vans, desde a última terça, estão estacionadas no pátio do Complexo de Saúde e a inspeção dos parlamentares indicou, de fato, que os veículos são novos e estão em ótimas condições para uso.

A reportagem enviou perguntas à assessoria do Hospital São João de Deus fazendo novos questionamentos, mas não obteve resposta. Segundo a assessoria, uma nota conjunta seria enviada após a entrevista do deputado Léo Motta à Rede 98.

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Em nota divulgada no início da semana, a assessoria do hospital afirmou que os atendimentos odontológicos não estão sendo realizados com as vans por conta da Resolução 7617 da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que proíbe a realização de procedimentos cirúrgicos em regime de mutirão. A resolução citada foi feita e publicada em 21 de julho deste ano. A reportagem acompanha o paradeiro das vans no lote desde o final de junho, e os vizinhos indicam que os veículos foram deixados no terreno pelo menos desde o início de abril

A nota do hospital diz, ainda, que os veículos encontram-se “devidamente abrigados em local apropriado” e que a “responsabilidade pela guarda e manutenção das vans em perfeitas condições é da Associação”.

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