A greve dos trabalhadores da educação municipal de Belo Horizonte continua sem acordo entre prefeitura e sindicato. Em entrevista à rádio 98 News, a diretora do Sind-REDE/BH, Carol Pascoalini, rebateu declarações da secretária municipal de Educação, Natália Araújo, e afirmou que a paralisação envolve não apenas questões salariais, mas também críticas ao modelo de atendimento da educação inclusiva, falta de professores e condições de trabalho nas escolas da capital.
Segundo Carol, o principal ponto de impasse é a atuação das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) dentro das escolas municipais. O sindicato acusa a prefeitura de transferir atribuições pedagógicas da educação especial para entidades privadas, o que, na avaliação da categoria, representa uma “terceirização” do atendimento.
“O serviço do atendimento educacional especializado não pode ser terceirizado”, afirmou a diretora do Sind-REDE. Ela argumenta que os profissionais concursados da rede deveriam continuar responsáveis pelo planejamento pedagógico de estudantes com deficiência, transtornos e altas habilidades.
Durante a entrevista, Carol explicou que a greve atual envolve servidores concursados, como professores, profissionais das bibliotecas e trabalhadores das secretarias escolares. Ela destacou que a paralisação dos terceirizados ocorreu no início do ano e que o cenário agora é diferente.
Outro ponto levantado pelo sindicato é a falta de diálogo com a prefeitura. De acordo com a dirigente sindical, a Secretaria Municipal de Educação teria encerrado as negociações “de forma unilateral” após reuniões consideradas pouco produtivas.
Além das críticas ao modelo das OSCs, o sindicato também reclama de cortes em recursos destinados às caixas escolares, utilizadas para despesas do cotidiano das unidades, como compra de materiais, complementação da merenda, excursões e pagamento de profissionais de programas educacionais.
A dirigente ainda afirmou que há déficit de professores em escolas da capital. Segundo ela, algumas unidades chegaram a registrar falta de até 11 docentes por turno no início do ano. O sindicato cobra mais transparência da prefeitura sobre a distribuição de profissionais e as vagas disponíveis na rede municipal.
Carol Pascoalini também rebateu a fala da secretária de que a greve não teria motivação salarial. Segundo ela, a categoria reivindica reajuste baseado no índice do piso nacional do magistério, de 5,4%, e considera insuficiente o percentual aplicado pela prefeitura.
“As condições das escolas estão muito difíceis e muito precárias”, declarou.
A Prefeitura de Belo Horizonte e a Secretaria Municipal de Educação defendem que as OSCs podem contribuir com expertise no atendimento inclusivo e pedem o retorno dos profissionais às salas de aula enquanto as negociações seguem em andamento.
