A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) pintou o rosto de preto durante uma sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), nesta quarta-feira (18/3), para questionar a legitimidade de mulheres trans.
A parlamentar afirmou que, sendo uma mulher branca, não se tornaria negra ao se maquiar “como uma negra” e associou esse raciocínio à transgeneridade. A atitude foi interpretada como a prática racista conhecida como “blackface”.
“Eu, sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que vivi como uma pessoa branca, agora, aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra, deixando só o exterior parecer. E aqui eu pergunto: e agora? Eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por uma pessoa negra? Eu me pintando de negra sinto na pele a dor do racismo?”, afirmou.
Fabiana também questionou o fato de a deputada federal Érika Hilton ter sido escolhida para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, em Brasília.
“Eu não quero que nenhum trans tire o meu lugar de fala. Não adianta se maquiar de mulher, não vai saber o que uma mulher passa”, disse.
A manifestação gerou reação imediata no plenário. Parlamentares classificaram o ato como racismo e transfobia, e houve pedidos de interrupção da sessão. Nas redes sociais, o episódio também foi amplamente criticado.
A deputada Ediane Maria (PSOL) informou que irá apresentar uma representação na Comissão de Ética por quebra de decoro parlamentar, além de solicitar investigação ao Ministério Público por racismo e transfobia.
O que é blackface
O termo “blackface” refere-se à prática em que pessoas brancas pintam o rosto de preto para representar personagens negros de forma ridicularizada. Essa caracterização surgiu no teatro, especialmente nos Estados Unidos no século XIX, e era usada para criar figuras estereotipadas da população negra.
Ao longo do tempo, esse tipo de representação ajudou a reforçar o racismo, associando pessoas negras a estereótipos negativos.
