O que o brasileiro realmente ouve quando coloca os fones de ouvido ou liga o rádio do carro? Uma investigação profunda sobre a identidade sonora do país acaba de trazer respostas que desafiam o senso comum. A pesquisa “Cultura do Espelho”, realizada pela Globo em parceria com o instituto Quaest, ouviu presencialmente quase 10 mil pessoas para traçar um panorama fiel do gosto popular em 2026.
Os resultados confirmam que o Brasil continua sendo o “país do berrante”. O Sertanejo consolidou-se como o soberano absoluto, sendo o gênero favorito de 26% dos entrevistados. Essa hegemonia reflete não apenas o poder da indústria fonográfica do Centro-Oeste, mas uma conexão cultural profunda que atravessa gerações e classes sociais.
A força da fé e o “paredão” regional
Logo atrás do chapéu de boiadeiro, a fé surge como o segundo maior pilar musical do país. As músicas religiosas, cristãs e gospel alcançaram 16% das menções, evidenciando que o consumo de música no Brasil está intimamente ligado à espiritualidade e ao ambiente familiar.
O terceiro lugar no pódio é ocupado por uma categoria que os pesquisadores chamam de “energia das festas”: o Forró, o Piseiro e o Arrocha. Com 10% da preferência, esses ritmos mostram a força da exportação cultural do Nordeste para todo o território nacional, dominando as pistas de dança e os “paredões” de som.
O “plot twist”: Rock vs. Pop
Contudo, a grande surpresa do levantamento — e que já está gerando debates acalorados nas redes sociais — é o desempenho do Rock em comparação ao Pop. Em uma era dominada por algoritmos de redes sociais e trends de dancinhas, muitos apostariam em uma vitória esmagadora do gênero Pop. Os números, porém, contam outra história.
O Rock, somando suas vertentes internacional (4%) e nacional (3%), detém 7% da preferência declarada dos brasileiros. Enquanto isso, o Pop nacional registrou apenas 2% de menções, e o Pop internacional apareceu com o tímido índice de 1%.
“Os dados sugerem que, embora o Pop seja extremamente onipresente em visualizações de vídeos curtos, o Rock mantém uma base de fãs mais fiel e consolidada, que se identifica com o gênero como um estilo de vida”, analisam os especialistas da Quaest.
Estilos que correm por fora
Abaixo dos grandes blocos, a pesquisa revelou uma fragmentação curiosa. Estilos como o Reggae, a Música Eletrônica e o Axé ainda resistem no imaginário popular, aparecendo à frente do Pop internacional na lista de preferências. Isso reforça a ideia de que o Brasil possui nichos culturais muito bem definidos e resilientes.
Confira o ranking detalhado das preferências:
- Sertanejo: 26%
- Religioso/Gospel: 16%
- Forró/Piseiro/Arrocha: 10%
- Samba/Pagode: 9%
- MPB: 8%
- Rap/HipHop: 5%
- Rock Internacional: 4%
- Funk: 4%
- Rock Nacional: 3%
- Pop Nacional: 2%
- Pop Internacional: 1%
