O hábito da leitura ganhou fôlego no Brasil em 2025. De acordo com a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, realizada pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData, cerca de 18% da população adulta comprou ao menos um livro nos últimos 12 meses, um avanço de 2 pontos percentuais em relação a 2024. Na prática, isso representa a entrada de aproximadamente 3 milhões de novos consumidores no mercado editorial.
Para a presidente da Câmara Brasileira do Livro, Sevani Matos, o crescimento reforça a força do setor. Segundo ela, o resultado é fruto de um ecossistema que envolve editoras, livrarias, autores, influenciadores e políticas públicas de incentivo à leitura, mostrando que ainda há espaço para expansão no país.
Um dos destaques do levantamento é o protagonismo das mulheres pretas e pardas, que hoje representam 30% do total de consumidores de livros e metade das mulheres que compram. Dentro desse grupo, as mulheres da classe C formam o maior público consumidor do Brasil. No recorte geral, pessoas pretas e pardas somam 49% dos leitores compradores. Por outro lado, o estudo aponta um desafio: o baixo engajamento do público masculino, que ainda consome menos livros.
Outro dado relevante é o avanço entre os jovens. As faixas etárias de 18 a 34 anos registraram crescimento conjunto de 3,4 pontos percentuais. O movimento é impulsionado, principalmente, pelas redes sociais, que vêm se consolidando como porta de entrada para novos leitores. Recomendações online, criadores de conteúdo e comunidades virtuais têm ampliado o alcance da literatura, especialmente entre o público mais conectado.
Entre os gêneros que puxaram esse crescimento estão os livros de ficção, com destaque para o segmento Young Adult, além dos livros de colorir, que se consolidaram como fenômeno editorial. Em 2025, cerca de 7,1% da população adulta, o equivalente a 11 milhões de pessoas, adquiriu ao menos um exemplar desse tipo, representando 40% dos consumidores de livros.
A influência digital também aparece nos hábitos de compra: 56% dos leitores afirmam adquirir produtos por meio das redes sociais. As mulheres entre 25 e 54 anos lideram esse comportamento, representando 76% desse público. Além disso, 70% dos consumidores dizem acompanhar lançamentos, principalmente por sites de compras, indicações de conhecidos, livrarias e criadores de conteúdo.
Mesmo com o avanço do digital, as livrarias físicas seguem relevantes. Para 53% dos consumidores, esses espaços são ambientes de lazer e descoberta, enquanto 46% os associam à conexão com cultura e conhecimento. Na última compra de livro impresso, o equilíbrio foi evidente: 53% das aquisições ocorreram online e 47% em lojas físicas, indicando um mercado cada vez mais multicanal.
A pesquisa ouviu 16 mil pessoas em todas as regiões do país, abrangendo diferentes classes sociais. Com margem de erro de 0,8% e nível de confiança de 95%, o estudo oferece um retrato amplo e consistente do comportamento do leitor brasileiro, e sinaliza que, apesar dos desafios, o livro segue firme como parte importante da vida cultural no país.
