O Brasil ocupa a 4ª posição no ranking global de praias mais contaminadas por bitucas de cigarro, segundo estudo publicado em 27/03 na revista científica Environmental Chemistry Letters, com dados coletados entre 2013 e 2024.
A pesquisa reuniu informações de 130 estudos realizados em 55 países e identificou 17 nações com níveis críticos de poluição por filtros de cigarro. A maior parte das áreas afetadas está em praias.
Em trechos do litoral brasileiro, a densidade chega a 8,85 bitucas por metro quadrado. A média mundial é de 0,24, o que indica níveis até 40 vezes maiores no país.
Impacto ambiental e presença no lixo
No mundo, as bitucas representam cerca de 12% do lixo coletado em áreas costeiras. Em países da América do Sul, esse índice pode ultrapassar metade do total.
No Brasil, a presença é ainda mais elevada. Em algumas praias, os filtros chegam a representar 66,7% do lixo marinho recolhido.
As bitucas são feitas de acetato de celulose, um tipo de plástico de difícil decomposição. Ao entrarem em contato com a água, liberam microplásticos e mais de 7 mil substâncias químicas, com potencial de contaminação do solo, da água e de organismos marinhos.
Praias brasileiras com maior concentração
Entre os pontos com maiores índices registrados no país estão:
- Boa Viagem (Recife, PE): 8,85/m²
- Perequê (Guarujá, SP): 2,64/m²
- Porto de Galinhas (Ipojuca, PE): 1,57/m²
- Santa Cruz dos Navegantes (Guarujá, SP): 1,04/m²
Os dados reforçam o impacto do descarte irregular de resíduos em áreas turísticas e a dificuldade de controle em locais com grande circulação de pessoas.
Ranking global
O Brasil aparece entre os países com maior concentração de bitucas por metro quadrado. Veja os principais:
Irã lidera com 38,32/m², seguido por Chile (24,11/m²) e Tailândia (13,30/m²). O Brasil aparece em 4º lugar, com 8,85/m², à frente de países como Uruguai, Alemanha e Indonésia.
