Após a estreia nacional neste sábado (28/3), em São Paulo, a capital mineira será o próximo destino da turnê “Titãs – Cabeça Dinossauro 40 anos”. Os músicos Sérgio Britto, Branco Mello e Tony Bellotto se apresentam em Belo Horizonte no dia 25 de abril para celebrar as quatro décadas de lançamento do terceiro álbum de estúdio da banda, consolidado como um marco do rock brasileiro.
A nova turnê, sob a direção de Otávio Juliano, resgata a sonoridade original de 1986. O espetáculo é dividido em dois atos: o primeiro reproduz as 13 faixas de “Cabeça Dinossauro” na ordem exata do disco, enquanto o segundo explora outras 11 músicas do repertório dos Titãs que dialogam com a obra, como “Lugar Nenhum” e “Anjo Exterminador”.
No palco, o trio é acompanhado por Mário Fabre (bateria), Beto Lee (guitarra) e Alexandre de Orio (guitarra). Durante a preparação para os shows, o vocalista e tecladista Sérgio Britto exigiu fidelidade aos arranjos gravados ao lado dos ex-integrantes Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, Nando Reis, Charles Gavin e Marcelo Fromer. “Não quero que pareça uma nova versão. Sinceramente, ninguém toca essas músicas como nós, com esse espírito”, declarou Sérgio Britto.
Censura federal e críticas sociais
Lançado durante a reabertura política do Brasil, “Cabeça Dinossauro” apresentou um discurso direto contra o Estado e as instituições. A composição “Polícia”, assinada por Tony Bellotto, refletiu a prisão do próprio guitarrista por porte de heroína em novembro de 1985. “O alvo era o abuso de poder, um resquício da ditadura. Mas também é uma crítica à legislação”, relembra Tony Bellotto.
Na época, a censura federal proibiu a execução da faixa “Bichos Escrotos” nas emissoras de rádio e televisão devido ao uso de palavrões. A canção “Igreja” também gerou protestos de grupos religiosos. Sérgio Britto defende a mensagem incisiva do álbum: “A canção é precisa. Estávamos focados em dizer as coisas de forma mais seca. É a liberdade do personagem em não gostar”.
Tony Bellotto comenta recuperação de câncer
A turnê comemorativa também marca a superação do guitarrista Tony Bellotto, diagnosticado com câncer de pâncreas há cerca de um ano. O músico foi submetido a sessões de quimioterapia e a uma cirurgia no trato digestivo.
Uma neuropatia resultante do tratamento oncológico causou dormência nas mãos do artista, dificultando o manuseio da palheta. Para contornar a limitação, Tony Bellotto adaptou-se utilizando uma dedeira comum entre músicos de choro e realizou fisioterapia intensiva para recuperar a força nos dedos e voltar a tocar a guitarra.
“Me recuso a pensar na ideia de que estou curado. É preciso esperar bons anos para afirmar isso. Mas estou vivendo da melhor maneira possível, sem nenhuma dor ou limitação”, explicou Tony Bellotto. O músico utilizou uma fala da atriz americana Jane Fonda para resumir sua experiência clínica: “Ela disse que ‘o câncer é um professor’. Desde que recebi o diagnóstico, mantive uma reação positiva e não dramática de encarar a doença com o maior pragmatismo possível”.
Serviço: Turnê Titãs – Cabeça Dinossauro 40 anos
Confira a agenda de apresentações confirmadas para os próximos meses:
28/03: São Paulo, SP (Espaço Unimed) – Estreia
25/04: Belo Horizonte, MG
09/05: Rio de Janeiro, RJ
18/07: Curitiba, PR
*Com informações de Agência Estado
