O Governo de Minas Gerais anunciou novas regras mais rígidas para presos ligados a facções criminosas e vai adaptar seis penitenciárias ao padrão de segurança máxima. A medida, considerada inédita no país em nível estadual, amplia o controle dentro das unidades e restringe a comunicação dos detentos com o mundo externo.
As diretrizes foram apresentadas pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) nessa quarta-feira (8/4), em Belo Horizonte.
Fim do contato físico e visitas monitoradas
Entre as principais mudanças está o fim do contato físico nas visitas. A partir de agora, os encontros passam a ocorrer apenas de forma virtual ou em parlatórios, com separação total entre presos e visitantes.
Também fica proibida a entrada de alimentos, itens de higiene ou qualquer outro material enviado por familiares. O próprio Estado passa a fornecer esses produtos dentro das unidades.
“Quando você impede a comunicação externa, corta um dos principais mecanismos de atuação das facções criminosas. Isso enfraquece diretamente essas organizações”, explica o secretário de Segurança Pública, Rogério Greco.
Mais tecnologia e bloqueio de comunicação
O novo modelo prevê reforço tecnológico no sistema prisional, com:
- bloqueadores de sinal de celular
- monitoramento por câmeras
- atuação integrada de inteligência
Para o diretor do Depen-MG, Leonardo Badaró, o pacote de ações aumenta o nível de segurança. “Estamos elevando o nível de segurança com bloqueadores de celular, monitoramento por câmeras e atuação integrada da Inteligência”.
Unidade no Norte de Minas vira projeto piloto
A primeira unidade a operar no novo modelo fica em Francisco Sá, no Norte de Minas, já com bloqueadores de sinal e vigilância reforçada. A previsão é de que as seis penitenciárias sejam totalmente adaptadas em até 180 dias.
Objetivo: frear atuação de facções dentro dos presídios
A iniciativa busca impedir que lideranças criminosas continuem operando de dentro das unidades prisionais e ampliando o alcance das facções.
O modelo segue diretrizes da Lei Federal Antifacção, sancionada no fim de março, e passa a estruturar um sistema específico para esse perfil de detento em Minas.
