O modelo de ensino cívico-militar foi o pano de fundo para uma troca de críticas entre o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, e o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, durante a cerimônia da Medalha da Inconfidência, nesta terça-feira (21/4), em Ouro Preto.
Durante o evento, Angelo Oswaldo citou referências históricas e afirmou que o militarismo representa um risco aos princípios republicanos. “Rui Barbosa (…) condenou o militarismo como um atentado aos princípios basilares da República”, disse. Ele também afirmou que “não há que apelar ao militarismo”, ao defender uma educação cívica baseada em valores democráticos.
A fala foi rebatida por Simões, que criticou a condução do evento e cobrou respeito aos militares. “Me desculpem se eventualmente dono de alguma casa ou representante de algum espaço não tenha com os senhores o respeito que os senhores merecem”, afirmou, em referência ao prefeito, anfitrião da cerimônia.
O governador também classificou o episódio como inadequado para o momento institucional. “Lamento muito que em Minas Gerais a cortesia de quem recebe tenha sido perdida (…) pela necessidade de fazer política no momento cívico”, disse.
Em seguida, Simões interrompeu o protocolo para pedir que militares presentes se levantassem, em gesto de reconhecimento. “Se há quem tem vergonha do militarismo, essa casa não o tem”, declarou.
Contexto do debate
O embate ocorre em meio à discussão sobre a criação de escolas cívico-militares em Minas Gerais. O tema já gerou questionamentos e chegou a ser analisado pelo Tribunal de Contas do Estado, com suspensão temporária de consulta pública.
Na semana passada, o governo estadual encaminhou à Assembleia Legislativa um projeto de lei que institui o Programa das Escolas Cívico-Militares (PECM) na rede estadual. A proposta prevê cooperação entre a Secretaria de Estado de Educação e instituições militares estaduais.
