‘É preciso separar o joio do trigo’, diz o médico, Gerson Cavalcante, sobre diagnósticos de Burnout

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A saúde mental no ambiente de trabalho foi um dos temas centrais nesta sexta-feira (24/4), durante o segundo dia do Imersão Indústria, realizado no estacionamento do BH Shopping. Em entrevista exclusiva, o médico auditor e especialista em medicina do trabalho Gerson Cavalcante discutiu os impactos da Síndrome de Burnout na produtividade nacional. O palestrante ressaltou que o esgotamento físico e mental dos colaboradores afeta diretamente o “Custo Brasil”, gerando desde a queda imediata na produção até pressões financeiras sobre a previdência social e o sistema judiciário.

De acordo com Cavalcante, o cenário atual é marcado por uma “hiperdiagnose” da doença, o que exige um cuidado redobrado dos profissionais de saúde. “A primeira dica é fazer o adequado diagnóstico diferencial, separar o joio do trigo. É preciso saber quando é um caso de burnout e quando é uma doença psiquiátrica subjacente, como depressão ou ansiedade”, explicou o médico. Para ele, identificar a origem real do problema é o primeiro passo para que as empresas possam implementar programas de prevenção e gerenciamento de riscos psicossociais verdadeiramente eficazes.

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Sinais de alerta e gestão preventiva nas empresas

O especialista detalhou que o burnout se manifesta através de três pilares clássicos: a fadiga persistente, o distanciamento afetivo (frieza no ambiente de trabalho) e a queda drástica no rendimento profissional. Dessa forma, Cavalcante orienta que as empresas não esperem o “auge” da crise para agir, mas que busquem manter ambientes saudáveis e produtivos de forma constante. A gestão humanizada, portanto, dos riscos representa um investimento que evita o afastamento prolongado do trabalhador e mantém o equilíbrio econômico da instituição.

Nesse cenário, o médico reforçou a importância da função social do trabalho, destacando que a atividade laboral deve ser um fator de promoção da saúde e não de adoecimento. “É muito melhor o pior dos trabalhos do que a ausência dele, mas nós queremos um trabalho saudável, que promova o bem-estar social”, pontuou Cavalcante ao encerrar sua participação. Ele acredita que o diálogo entre médicos, gestores e trabalhadores é a única via para reduzir a estafa geral e garantir que o trabalho cumpra seu papel vital na sociedade brasileira.

Por fim, o Imersão Indústria encerra sua programação consolidando-se como um dos principais palcos para o fortalecimento do setor em Minas Gerais. O evento, que reuniu mais de 60 empresas em rodadas de negócios e contou com dezenas de painéis técnicos, cumpre o objetivo de integrar inovação e gestão humana na indústria mineira. Ao discutir temas urgentes como o burnout, a iniciativa da FIEMG demonstra que a modernização do ramo industrial passa, obrigatoriamente, pela valorização e pelo cuidado com a integridade de quem faz a produção acontecer.

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Gustavo Macedo

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