Licenciamento ambiental pode virar vantagem competitiva na indústria, diz especialista

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O licenciamento ambiental, frequentemente visto como obrigação burocrática, pode se tornar uma vantagem competitiva para empresas quando integrado à estratégia de negócio. O tema foi debatido no Imersão Indústria, em Belo Horizonte, e abordado em entrevista à 98 News pelo gerente de licenciamento da Vale, Thiago Alves.

Segundo o especialista, o principal desafio está na forma como o processo é conduzido dentro das empresas. “O custo Brasil é a imprevisibilidade que está associada ao licenciamento. Então, a gente tem que tornar o licenciamento cada vez mais previsível”, afirmou.

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Planejamento desde o início

Para transformar o licenciamento em um diferencial, Thiago defende que o processo seja incorporado desde a fase inicial dos projetos, e não tratado como uma etapa posterior. “A gente tem que tirar o licenciamento do risco do negócio e colocar na estratégia, fazendo um licenciamento melhor”, disse.

Ele destacou que antecipar essa etapa pode evitar custos elevados com correções ao longo do projeto. “Você precisa entender que o licenciamento tem que estar na concepção dos projetos, porque o custo depois de corrigir um processo que sai do rumo é muito alto”, explicou.

O especialista também apontou que o licenciamento envolve dimensões além das exigências legais, como o diálogo com comunidades e a geração de benefícios compartilhados. “Colocar o licenciamento como uma disciplina do negócio é olhar para ele desde o início da estratégia, incluindo a licença social e o diálogo com a comunidade”, afirmou.

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Segundo ele, essa mudança de abordagem pode facilitar o andamento dos projetos e reduzir conflitos. “Quando a gente trata como uma dimensão estratégica, com bons estudos ambientais e boa escuta das comunidades, o caminho se torna mais fácil e surge a vantagem competitiva”, disse.

Nova lei

Thiago Alves também comentou os efeitos da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, aprovada após anos de debate no país. Para ele, a legislação não reduz exigências, mas traz mais clareza e organização ao processo. “A lei geral trouxe eficácia para o processo, previsibilidade e ritos claros. Tirou mitos que existiam no licenciamento”, afirmou.

Ele ressaltou que o rigor permanece, com necessidade de estudos técnicos e transparência nos impactos. “O rigor continua existindo. É necessário desenvolver projetos com transparência, discutir com as comunidades e propor alternativas de mitigação”, disse.

Segundo o especialista, a mudança tende a melhorar o ambiente de negócios. “Você melhora a previsibilidade, traz mais capacidade de investimento e melhora o ambiente de negócio como um todo”, concluiu.

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Kellen Lanna

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