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Blocos afro do Carnaval de BH levam axé, ancestralidade e resistência para a folia

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A PBH estima que Belo Horizonte deve atrair 6 milhões de foliões em 2025 (Leonardo Rocha e Luiz Rocha/Arquivo Pessoal)

Bloco Afoxe Bandarere
A PBH estima que Belo Horizonte deve atrair 6 milhões de foliões em 2025 (Leonardo Rocha e Luiz Rocha/Arquivo Pessoal)

“Despertai-vos para a cultura egípcia no Brasil”. O verso de “Faraó” foi cantado por  Margareth Menezes pela 1° vez em 1987, no Carnaval de Salvador. Naquela época, a folia de Belo Horizonte ainda estava longe de ter as proporções atuais. Hoje, quase 40 anos depois, o bloco de mesmo nome é um dos vários que representam a cultura negra na capital mineira. Além dele, outros cortejos icônicos na capital voltam às ruas neste ano para homenagear os ancestrais. A 98 preparou uma seleção dos principais.

Belo Horizonte é hoje o terceiro maior Carnaval do país em número de público. Dentre os 568 blocos cadastrados na prefeitura, vários deles usam a folia como um lugar de resistência e afirmação da ancestralidade negra no Brasil. Afoxé Bandarerê, Afoxé Ilê Odara, Bloco da Capoeira, Angola Janga, Magia Negra, Babadan Banda de Rua e muitos outros são pensados e protagonizados por pessoas pretas. 

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Além de um sucesso atemporal, “Faraó” é um convite a refletirmos sobre um aspecto fundamental da cultura brasileira: a herança africana. Herança esta que também é refletida no Carnaval. Confira abaixo todos os detalhes sobre os principais blocos afro de BH.

Afoxé Bandarerê

Orgulhosamente sediado no bairro Concórdia, construído e marcado por uma efervescência de cultura negra, o Afoxé Bandarerê é o candomblé na rua. O bloco surge como um instrumento cultural e político de enfrentamento ao racismo religioso. 

Marcio Kamus’ende, presidente do Afoxé, explica que “é a palavra de Axé, resistindo, furando a barreira física da cerca do terreiro. É o candomblé indo para a rua com sua alegria, com sua força, com sua seriedade e como é lúdico, sobretudo, com sua irreverência”.

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Todos os anos, o Afoxé homenageia um Orixá e 2025 é o ano de Oxumarê. A serpente-arco-íris de Oxumarê não é apenas um símbolo, é uma lembrança da importância da água, da chuva, da fertilidade da terra, da renovação que se dá na natureza e na vida.

Oxumarê representa abundância de saberes e a constante transmutação das culturas que formam o povo mineiro. “ Estamos celebrando essa metamorfose que nós somos, que nos transformamos todos os dias para produzir nossos conhecimentos, nossa arte e sobrevivência.” diz Marcos Kamus’ende.

Além das apresentações carnavalescas, o Afoxé Bandarerê se articula de outras formas para levar a cultura de terreiro para ser acessível na rua. Como o “Presente Ecológico de Iemanjá”, realizado anualmente na Praça Iemanjá. Ele é a etapa final de uma série de rituais litúrgicos realizados nos terreiros de candomblé e propõe um diálogo entre espiritualidade, sustentabilidade e valorização da cultura afro-brasileira. 

Bloco Afoxé Bandarerê 2024
Para 2025, o Afoxé traz um cortejo que mistura ancestralidade, arte e consciência ambiental (Leonardo Rocha e Luiz Rocha)

Data: 02/03/2025
Concentração:
14h
Endereço:
Praça México

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Bloco da Capoeira

Desde 2015, o Bloco da Capoeira reúne a tradição da capoeira à celebração popular do Carnaval de Minas Gerais. Coordenado pelo Mestre Ray, o bloco leva para as ruas um dos maiores símbolos de resistência da cultura preta no Brasil.

Enquanto uma manifestação cultural multifacetada, o Bloco da Capoeira integra outras expressões que enriquecem sua apresentação, como a puxada de rede, o maculelê e o samba de roda.

Historicamente, a capoeira sempre esteve atrelada ao Carnaval. Mestre Ray relembra que, em Belo Horizonte, essa articulação já acontecia desde a década de 1980 no Afoxé Ilê Odara, o primeiro afoxé da cidade. “Já era uma tradição, onde a capoeira estava agregada a outros blocos. Isso vem de tempos, né? Das escolas de samba e tudo mais, inclusive o Afoxé Ilê Odara.”

Com essa ligação em mente, surgiu o desejo de criar um bloco exclusivamente dedicado à capoeira em solo mineiro. A ideia, no entanto, não é original de Belo Horizonte. Na Bahia, o Mestre Tonho Matéria já coordenava o Bloco Afro Mangangá Capoeira, considerado o primeiro bloco de capoeira do mundo.

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Para o Carnaval de 2025, o Bloco da Capoeira irá se apresentar junto ao Bloco Afoxé Ilê Odara, na Avenida dos Andradas. Inicialmente, o cortejo aconteceria no bairro Santa Tereza, mas, devido à falta de recursos públicos, o desfile não foi viabilizado.

Mestre Ray destaca a importância de valorizar e apoiar a cultura popular, garantindo que grupos como o Bloco da Capoeira tenham condições dignas de realizar seus desfiles. Ele critica a dificuldade de obter apoio financeiro, mesmo diante da relevância cultural e turística do Carnaval de Belo Horizonte.

Roda de capoeira
A Roda de Capoeira é reconhecida pelo Iphan como Patrimônio Cultural Brasileiro, e a  prática reconhecida como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco. (créditos: Black Dom)

Data: 03/03/2025
Concentração:
17h30
Endereço:
Av. dos Andradas

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Angola Janga

Fundado em 20 de novembro de 2015 por Lucas Jupetipe e Nayara Garófalo, o Angola Janga consolidou-se como um dos blocos afro mais emblemáticos de Belo Horizonte. Com um repertório potente que passeia pelo samba reggae, ijexá, samba afro, funk de protesto, hip hop, pagodão baiano, kuduro e tambores mineiros, o bloco se tornou um espaço de aquilombamento, cidadania e educação, resgatando e fortalecendo as raízes culturais negras. Mais que um bloco de Carnaval, ao longo do ano, o Angola Janga se mantém ativo com oficinas e formações gratuitas em dança, percussão, construção de alegorias e produção, além de oferecer atendimento psicológico e advocatício a preços sociais. 

Para Lucas Jupetipe, um dos fundadores, “o Angola Janga não é apenas um bloco de Carnaval, mas um espaço de resistência e de fortalecimento do nosso povo. Queremos que cada pessoa negra que passa pelo bloco se sinta parte de algo maior, um quilombo moderno que acolhe e transforma vidas”.

A cofundadora Nayara Garófalo reforça essa perspectiva: “São 10 anos de luta e celebração, de aprendizado coletivo e de fortalecimento das nossas tradições. O Angola Janga é sobre memória, sobre cidadania, sobre educação. É sobre nos reconhecermos como sujeitos históricos e ativos na construção de uma sociedade mais justa.”

Esse ano, o Angola Janga celebra dez anos de história. O tema escolhido para o cortejo de 2025 foi o ‘Ciclo da Ancestralidade: 10 anos de Angola Janga’. É uma reverência às histórias e trajetórias que moldaram o bloco e que continuarão a inspirá-lo no futuro. 

cortejo do bloco Angola Janga 2024
Em 2025, o Angola Janga celebra a continuidade de sua comunidade. (créditos: Denise dos Santos)

Data: 02/03/2025
Concentração:
14h
Endereço:
Avenida Amazonas, n° 507

Baianas Ozadas

Desde 2012, o  bloco Baianas Ozadas é um dos grandes protagonistas do Carnaval belo-horizontino. Com um repertório que exalta o axé e a cultura baiana, o bloco reflete a identidade afro, tanto na musicalidade como na estética e referências históricas.

Toda a indumentária dos integrantes –  saias rodadas, turbantes e colares de contas – é pensada em torno de referências das religiões de matriz africana e das Baianas de Salvador. 

Todos os anos, o Baianas inicia seu cortejo com a lavagem da escadaria da Igreja São José, no centro de Belo Horizonte. O ritual traz a cultura da lavagem das escadarias do Nosso Senhor do Bonfim, tradicional do carnaval de Salvador, na Bahia, para o solo mineiro.

A Lavagem da Escadaria da Igreja São José não é apenas um ritual de purificação, mas um ato político e cultural, que reafirma a força das tradições afro-brasileiras e fortalece a identidade do Carnaval de Belo Horizonte.

Data: 03/03/2025
Concentração:
8h
Endereço:
Avenida Afonso Pena, n° 1110

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Ludmila Souza

Graduada em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). É fotógrafa e amante de narrativas visuais.

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