As chuvas intensas que atingiram Minas Gerais entre o fim de 2025 e o início de 2026 colocaram à prova a infraestrutura elétrica em diversas regiões do estado. Em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, fevereiro deste ano entrou para a história como o mês mais chuvoso desde o início da série histórica, em 1961. Em poucos dias, o município registrou mais de 750 milímetros de precipitação, um volume quatro vezes superior à média histórica.
Em apenas sete horas, a cidade recebeu cerca de 80% de toda a chuva esperada para o mês, provocando alagamentos, deslizamentos e transtornos à população. Apesar do cenário extremo, a Cemig afirma que conseguiu manter a estabilidade do sistema elétrico, sem registros de grandes blocos de consumidores afetados por interrupções prolongadas. Nos casos pontuais em que houve ocorrências, o fornecimento foi restabelecido em até 24 horas.
Segundo o engenheiro de Ativos da Distribuição da Cemig, Taumar Morais, eventos climáticos com esse volume de precipitação exigem atenção especial devido aos impactos que podem provocar na rede de distribuição de energia.
“Um evento climático extremo, como o registrado em Juiz de Fora, representa um dos cenários mais severos para a rede de distribuição de energia. Nessas situações, os equipamentos ficam expostos a condições que podem superar os parâmetros considerados nos projetos de engenharia e operação do sistema. Trata-se de uma ocorrência que exige mobilização máxima das equipes de manutenção e operação, pois, além de impactar o fornecimento de energia, aumenta os riscos à segurança da população e das áreas afetadas”, explica o especialista.

“Com a queda de postes de energia, a fiação pode ficar espalhada pelas ruas, trazendo ainda mais riscos para a população. Em Juiz de Fora, tivemos áreas que não puderam ser restabelecidas de imediato, porque o local ainda não oferecia condições de segurança”, complementou.
Em todo o estado, a companhia intensificou ações preventivas e reforçou estruturas operacionais para reduzir impactos provocados por fenômenos climáticos cada vez mais severos. Os números relacionados às descargas atmosféricas ajudam a dimensionar esse cenário: no período chuvoso 2025/2026, Minas Gerais registrou mais de 2,47 milhões de raios, contra cerca de 1,58 milhão no ciclo anterior. Mesmo com esse aumento expressivo, a Cemig conseguiu melhorar os indicadores de qualidade do fornecimento de energia.
Um motivo para essas operações bem-sucedidas é o fato de a Cemig ter um centro de meteorologia próprio, com equipe de meteorologistas disponível 24 horas por dia, como explica o engenheiro Taumar Morais.
“A Cemig vem investindo fortemente em seu sistema elétrico nos últimos anos e, com isso, conseguimos melhorar a resiliência da nossa rede elétrica, com equipamentos mais modernos e inteligentes e, principalmente, com a expansão das nossas redes de energia”, explicou o especialista.
“Essa condição nos possibilita, em situações de falhas em algum ponto da rede, remanejar a carga. Ou seja, clientes atendidos por aquela rede passam a ser atendidos por outra rede elétrica de apoio, garantindo, assim, que nossos clientes fiquem o menor tempo possível sem energia. Na maioria das vezes, eles nem percebem essas manobras na rede, devido ao sistema estar cada vez mais interligado. Esses investimentos permitiram que, mesmo com aumentos expressivos das descargas atmosféricas, melhorássemos nossos atendimentos aos clientes e nossos indicadores de qualidade”, complementou o engenheiro.
Menos interrupções
Os principais indicadores do setor apontam redução tanto no tempo quanto na frequência das interrupções. O DEC percebido — índice que mede o tempo médio que os consumidores ficaram sem energia — caiu de 10,65 horas no período 2024/2025 para 9,04 horas em 2025/2026.
Já o FEC percebido, que mede o número médio de interrupções registradas pelos clientes, passou de 4,85 para 4,33 ocorrências no mesmo período.
“A redução dos indicadores DEC e FEC representa diretamente uma melhora no fornecimento de energia para os nossos clientes, consumidores de energia elétrica conectados ao sistema da Cemig. Isso significa que nossos clientes tiveram menos interrupções no fornecimento de energia neste período e, quando tiveram uma interrupção, ela durou menos. Ou seja, o fornecimento de energia foi restabelecido de forma mais rápida”, analisou Taumar.
Segundo a companhia, os resultados refletem os investimentos realizados nos últimos anos para modernizar e fortalecer a rede de distribuição em Minas Gerais. Em 2025, a Cemig destinou cerca de R$ 4,7 bilhões para obras e melhorias no sistema elétrico em 774 municípios da área de concessão. Para este ano, a previsão é ampliar os aportes para R$ 4,9 bilhões, dentro do maior programa de investimentos já realizado pela empresa.
Além das obras estruturais, a estratégia inclui ações de manutenção preventiva. A expectativa é realizar mais de 900 mil podas de árvores e limpeza de faixas em mais de 50 mil quilômetros de linhas de distribuição. A empresa também prevê inspeções com drones e equipamentos de termovisão, além da substituição de milhares de componentes da rede, como postes, cruzetas, isoladores e para-raios.
Alerta para período de queimadas
Com a aproximação do período seco, outro desafio passa a ter atenção total da distribuidora: as queimadas. Os incêndios próximos às linhas de transmissão e distribuição podem provocar desligamentos, danificar equipamentos e comprometer o fornecimento de energia em diversas regiões.
Na Cemig, as ações de prevenção são divididas entre período úmido e período seco e, assim que as chuvas cessam, tradicionalmente no mês de abril, as atenções já se voltam totalmente para o controle de problemas causados pela seca e, consequentemente, pelas queimadas.
“Temos diversas ações preventivas, principalmente nas áreas rurais, como a limpeza da faixa de servidão das redes elétricas, capinas em torno da base das estruturas dos postes e pintura antichama, que retarda a queima dos postes de madeira em caso de incêndio no local. Temos ainda o monitoramento, via satélite e em tempo real, de nossas linhas de distribuição de energia de alta tensão”, comentou o engenheiro da Cemig.
Para responder rapidamente a ocorrências e emergências, a Cemig também mantém uma ampla estrutura operacional em Minas Gerais. O Centro de Operação da Distribuição (COD) e o Centro de Serviços Integrados (CSI) contam com 133 profissionais dedicados ao monitoramento e gerenciamento do sistema, número que pode chegar a 167 durante o período chuvoso.
Em situações climáticas extremas, a mobilização pode alcançar 244 engenheiros e técnicos. Em toda a área de concessão, a companhia possui 606 bases operacionais e um efetivo regular de aproximadamente 2.850 colaboradores.
Nos períodos de maior demanda, esse contingente pode chegar a cerca de 3.300 profissionais. Em cenários críticos, a empresa afirma ter capacidade de mobilizar mais de 8.500 técnicos em campo, reforçando o atendimento às ocorrências.
A estrutura conta ainda com 30 subestações móveis, 28 geradores de média e baixa tensão, dois helicópteros e 99 drones utilizados em inspeções e atendimentos em áreas de difícil acesso. Tudo isso como parte de um esforço para prevenir interrupções e acidentes.
“Não adianta apenas investir em novas redes, novas subestações e novos equipamentos e não cuidar delas. O nosso parque elétrico é gigante, um dos maiores do mundo, então a manutenção preventiva é o que garante que esses equipamentos estejam realmente disponíveis para o sistema elétrico quando precisamos deles”, concluiu o engenheiro da Cemig.
