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Noite dos Óvnis no Brasil: caso que mobilizou caças da FAB completa 40 anos

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Andreza Miranda

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Registros da Noite dos Óvnis no Brasil ocorreram em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro (Foto: Imagem gerada por IA)

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Em 19 de maio de 1986, o céu brasileiro foi palco de um dos episódios mais intrigantes da história da aviação nacional. Conhecido como “Noite Oficial dos Óvnis”, o caso mobilizou pilotos civis, operadores de radar, militares da FAB (Força Aérea Brasileira) e autoridades do governo após dezenas de objetos voadores não identificados serem avistados em diferentes regiões do país.

Quatro décadas depois, a “Noite dos Óvnis no Brasil” continua cercada de mistério e ainda desperta debates entre ufólogos, cientistas e curiosos.

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Os registros aconteceram em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais, estado que teve papel importante no episódio por conta dos relatos de pilotos que sobrevoavam cidades mineiras e da atuação do sistema de defesa aérea brasileiro.

Primeiros registros das luzes

Naquela noite, aeronaves comerciais relataram avistamentos sobre o Triângulo Mineiro, especialmente na região de Araxá, enquanto radares identificavam movimentações consideradas incomuns.

O caso começou a ganhar proporções maiores por volta das 20h, quando controladores de voo passaram a relatar luzes intensas e objetos realizando movimentos incompatíveis com aeronaves convencionais.

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Os alvos apareciam e desapareciam dos radares, mudavam de direção abruptamente e, segundo relatos da época, apresentavam velocidades muito superiores às alcançadas por aviões militares.

FAB é mobilizada

A situação rapidamente mobilizou o Cindacta (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo). A FAB acionou cinco caças supersônicos F-5 e Mirage para tentar interceptar os objetos. As aeronaves decolaram das bases aéreas de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e de Anápolis, em Goiás.

Entre os relatos mais conhecidos está o do então coronel Ozires Silva, fundador da Embraer, que viajava em um avião Xingu rumo a São José dos Campos após uma reunião em Brasília com o presidente José Sarney. Durante o voo, ele e o copiloto relataram a presença de luzes incomuns próximas à aeronave.

Em Minas Gerais, pilotos de voos comerciais também reportaram objetos luminosos durante trajetos que cruzavam o estado. Um dos registros ocorreu em uma aeronave que seguia para Brasília e sobrevoava a região de Araxá, no Alto Paranaíba. Os relatos reforçaram a preocupação das autoridades aeronáuticas, já que o fenômeno envolvia áreas de intenso tráfego aéreo.

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Sinais tinham comportamento inteligente

Além dos testemunhos visuais, o episódio ganhou relevância porque os objetos foram detectados simultaneamente pelos radares da defesa aérea. Documentos liberados anos depois pelo Arquivo Nacional indicam que os sinais captados apresentavam comportamento inteligente, mantendo distância das aeronaves militares e realizando deslocamentos em formação.

Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu quando um piloto da FAB relatou que um dos alvos acelerou rapidamente ao perceber a aproximação do caça. Pelos cálculos feitos na época, a velocidade estimada teria ultrapassado Mach 15, cerca de 18 mil quilômetros por hora, algo incompatível com a tecnologia aeronáutica conhecida naquele período.

A repercussão levou o então ministro da Aeronáutica, o Tenente–Brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima, a convocar uma entrevista coletiva poucos dias depois. Na ocasião, ele confirmou oficialmente que os caças da FAB haviam perseguido 21 objetos voadores não identificados e admitiu que não existia uma explicação técnica conclusiva para o fenômeno.

Décadas mais tarde, parte dos documentos relacionados ao caso foi liberada pelo Arquivo Nacional. Os relatórios oficiais descrevem objetos sólidos, capazes de acompanhar aeronaves, alterar trajetórias rapidamente e desaparecer dos radares. O material transformou a “Noite dos Óvnis no Brasil” em um dos casos ufológicos mais documentados do mundo.

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Embora ufólogos considerem o episódio um marco histórico da ufologia internacional, especialistas em astronomia e ciências atmosféricas afirmam que a expressão “objeto voador não identificado” não significa necessariamente origem extraterrestre. Até hoje, não há consenso sobre o que realmente ocorreu naquela noite.

O interesse público pelo caso permanece elevado. Atualmente, os documentos sobre OVNIs disponíveis no Arquivo Nacional estão entre os acervos mais acessados da instituição, atrás apenas dos registros ligados à ditadura militar.

Entre gravações de rádio, relatórios militares e registros de radar, o material ajuda a reconstruir uma noite que entrou definitivamente para a história do Brasil.

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Andreza Miranda

Graduada em Jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e produtora multimídia da Rede 98 desde 2024. Foi repórter no Portal BHAZ de 2020 a 2024. Participou de três reportagens premiadas pela CDL/BH (2021, 2022 e 2024); de reportagem do projeto MonitorA, vencedor do Prêmio Cláudio Weber Abramo (2021); e de duas reportagens premiadas pelo Sebrae Minas (2021 e 2023).

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