A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou, nesta segunda-feira (12/10), que não encontrou no canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), as afirmações citadas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) na denúncia apresentada contra o grupo. A análise considerou as publicações feitas entre 2 e 11 de outubro e foi realizada após determinação do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques.
“Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos”, diz o relatório.
A conclusão da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE contrapõe um dos pontos apresentados pela campanha de Flávio ao tribunal. O candidato do PL acusa Janones de utilizar o canal para disseminar informações falsas e coordenar ataques contra a candidatura dele.
A análise técnica, no entanto, é delimitada ao período entre 2 e 11 de outubro e aos conteúdos examinados no relatório.
Canal chegou a ser suspenso
No domingo (11/10), Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio e determinou a suspensão do “Exército do Lula”, que reúne mais de 3 milhões de usuários.
Ao determinar a retirada do canal do ar, o presidente do TSE afirmou que havia uma estrutura de transmissão utilizada para replicar, em larga escala, conteúdos que a Corte já havia considerado inverídicos.
A suspensão foi derrubada horas depois pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que determinou a retomada do funcionamento do canal.
Cueva também pediu que a questão fosse levada à primeira sessão virtual disponível do TSE, com apreciação urgente e, preferencialmente, em até 24 horas.
TSE analisou publicações do canal
Após a suspensão ser derrubada, Nunes Marques determinou que a área técnica investigasse as publicações do “Exército do Lula”.
A assessoria deveria verificar o conteúdo divulgado pelo canal, identificar eventual circulação das publicações em outras plataformas digitais e informar se haviam sido tomadas medidas para avaliar possíveis riscos à integridade do processo eleitoral.
Foi nesse levantamento que os técnicos afirmaram não ter localizado, entre as publicações de 2 a 11 de outubro, reproduções idênticas ou substancialmente equivalentes às afirmações analisadas no processo.
Disputa chegou ao discurso de Lula
A controvérsia envolvendo o canal também entrou na campanha presidencial. Lula criticou a primeira decisão de Nunes Marques e acusou a Justiça Eleitoral de interferir na disputa.
Nesta segunda-feira, o presidente voltou a cobrar a atuação do presidente do TSE e afirmou que o comandante da Corte Eleitoral “não pode ter lado”.
A decisão definitiva sobre a controvérsia envolvendo o “Exército do Lula” deverá ser tomada pelo plenário do TSE.