O candidato ao Senado pela Federação União Progressista (União Brasil-PP), Marcelo Aro (PP), afirmou que o governador Mateus Simões (PSD) descumpriu o acordo firmado entre os dois para as eleições de 2026 e o prejudicou ao filiar o senador Carlos Viana ao PSD. A declaração foi feita durante entrevista ao 98 Talks, nesta quinta-feira (06/8), quando o ex-secretário voltou a comentar a crise política que antecedeu seu rompimento temporário com o grupo do governador.
Segundo Aro, o compromisso construído ao longo dos últimos quatro anos previa que Romeu Zema (Novo) disputaria a Presidência da República, Mateus Simões seria candidato ao Governo de Minas e ele concorreria ao Senado. O ex-secretário afirmou que foi surpreendido ao receber, na reta final do prazo de filiações partidárias, uma mensagem de Simões comunicando que Carlos Viana passaria a integrar o PSD.
“Eu sempre quis ser senador da República e trabalhei os últimos quatro anos para isso. O compromisso era que o Mateus seria candidato a governador, o Zema a presidente e eu ao Senado. Mas, infelizmente, com essa turma é só ‘vem a nós’. Eu trabalhei quatro anos tentando viabilizar a eleição deles, mas eles não pensaram na minha”, afirmou.
Aro diz que decisão foi tomada sem diálogo
Durante a entrevista, Marcelo Aro afirmou que não participou da decisão de filiar Carlos Viana e disse ter alertado Mateus Simões de que a medida enfraqueceria sua candidatura ao Senado e ainda dificultaria uma composição com o PL.
Segundo ele, a comunicação ocorreu por mensagem de texto, em um grupo formado por integrantes do núcleo do governo, sem qualquer discussão prévia.
“O Mateus me mandou uma mensagem comunicando que ia filiar o Viana no PSD. Eu respondi dizendo que não concordava, que aquela decisão me prejudicava e também prejudicava o próprio projeto dele, porque afastava o PL da composição. Mesmo assim, ele ignorou completamente a minha posição.”
Aro afirmou ainda que possui todas as conversas registradas, mas disse que não pretende divulgar as mensagens.
“Tenho tudo por escrito. Não é do meu feitio ficar mostrando mensagem, mas eu avisei que aquilo era um erro.”
Crise antecedeu rompimento entre os aliados
O episódio marcou o início da crise entre Marcelo Aro e Mateus Simões. Após a filiação de Carlos Viana ao PSD, o ex-secretário deixou de disputar o Senado pelo grupo governista e passou a buscar uma candidatura ao Governo de Minas, em meio às negociações envolvendo Republicanos e PL.
Na ocasião, Simões afirmou ter ficado decepcionado com Aro e disse que o ex-aliado havia abandonado o projeto político por conveniência eleitoral. Romeu Zema também criticou o movimento e classificou a atitude como uma traição.
Dias depois, porém, a Federação União Progressista voltou a integrar a coligação de Mateus Simões. Com o novo acordo, Marcelo Aro retornou ao grupo político do governador e foi confirmado como candidato ao Senado pela federação, encerrando o rompimento, embora as divergências entre os dois continuem repercutindo durante a campanha.