O candidato ao governo de Minas Gerais Flávio Roscoe (PL) participou, nesta sexta-feira (04/9), da série de sabatinas da Rede 98 com os candidatos ao Palácio Tiradentes, no 98 Talks. Durante a entrevista, Roscoe defendeu a redução da burocracia para estimular a economia mineira, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou propostas para a segurança pública e falou sobre servidores estaduais e exploração de terras raras. O candidato também destacou a experiência empresarial e associativa como diferencial na disputa pelo governo.
Roscoe se apresentou como um candidato de direita e afirmou que, apesar da trajetória empresarial, chega à eleição com experiência política acumulada ao longo de décadas de atuação em entidades de classe. Ele presidiu a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) nos últimos oito anos.
“Eu sou empresário, mas sou líder de entidade de classe, sou líder associativo há mais de 30 anos. Então, isso me dá uma capacidade de diálogo, um traquejo político que o governador não tinha quando chegou. Então, eu tenho bagagem política”, afirmou, ao comparar sua trajetória à do ex-governador Romeu Zema (Novo).
‘Minas sufoca quem quer trabalhar’
Na economia, Roscoe afirmou que o aumento da receita estadual precisa ocorrer por meio do crescimento da atividade econômica. Uma das propostas apresentadas é o “Destrava Minas”, voltado à redução de normas e procedimentos burocráticos.
“Se nós não impulsionarmos a receita, não tem solução para Minas Gerais. E o que nós temos que fazer? É o Destrava Minas”, disse.
Segundo o candidato, o excesso de regras dificulta a atividade de diferentes setores no Estado.
“Minas Gerais sufoca quem quer trabalhar, empreender e gerar renda aqui nesse Estado. Sufoca, seja pequeno produtor rural, seja empresário, seja profissional liberal, pelo volume enorme de normas, burocracias”, afirmou.
Roscoe disse que pretende iniciar as mudanças já no começo de um eventual governo e afirmou ter apresentado anteriormente sugestões semelhantes às administrações estaduais.
Ataques a Lula e Alexandre de Moraes
Durante a sabatina, Roscoe fez críticas ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes em meio à crise no Supremo relacionada às investigações do Banco Master.
“Alexandre de Moraes tá fazendo chacota com a nossa cara e corre o risco da pessoa séria, de bem, que aponta o problema, o André Mendonça, ainda sair encurralado. Essa situação é surreal”, declarou.
Roscoe também criticou a possibilidade de Lula fazer novas indicações ao Supremo caso seja reeleito.
“E vocês acham que o Lula vai indicar diferente do que ele já indicou? Não, ele vai indicar daí para pior. E com o Supremo indicado com mais quatro ministros do Lula, acabou liberdade no Brasil”, afirmou.
O candidato disse acreditar que a liberdade de expressão estaria ameaçada nesse cenário e defendeu que eleitores preocupados com o tema votem em um adversário de Lula.
Questionado sobre como seria a relação entre Minas e o governo federal caso ele e Lula fossem eleitos, Roscoe disse acreditar na vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
“Eu tenho certeza que quem vai ganhar essa eleição é Flávio Bolsonaro, pelo bem do país. E, caso seja o Lula, não será diferente do que é hoje”, afirmou.
Segurança e críticas à Polícia Civil
Na segurança pública, Roscoe apontou a impunidade como uma das principais causas da criminalidade.
“O que gera o crime é impunidade. É a certeza de que nada vai acontecer. E hoje a impunidade existe porque tem muito bandido com mandato aí, Paulo, que não tem lugar no presídio”, declarou.
O candidato também afirmou que o sistema prisional acaba recebendo pessoas de menor periculosidade enquanto criminosos mais perigosos permanecem em liberdade.
“Nós prendemos presos de baixa periculosidade e deixamos soltos de alta. Porque os de baixa muitas vezes não têm advogados bons e os de alta têm”, disse.
Roscoe classificou os presídios como uma “universidade do crime” para presos de menor periculosidade e afirmou que a Polícia Civil de Minas está sucateada.
“A Polícia Civil tá sucateada, a verdade é essa. Nós estamos fazendo investigação sem tecnologia”, afirmou.
Entre as medidas defendidas estão investimentos em equipamentos e tecnologia e maior integração entre as forças de segurança estaduais.
Terras raras
Outro tema abordado foi a exploração das reservas de terras raras de Minas Gerais. Roscoe defendeu a industrialização desses minerais no Estado, mas criticou propostas para impedir a exportação da matéria-prima.
“Eu quero vender a terra rara bruta, eu quero vender ela industrializada, eu quero vender de todas as maneiras que a gente puder, porque é dinheiro, e não é pouco, é muito dinheiro”, afirmou.
Segundo o candidato, impedir a exportação poderia reduzir a viabilidade econômica de projetos enquanto o Brasil ainda desenvolve capacidade tecnológica para processar os minerais.
“Não é proibindo a exportação do produto que você desenvolve o elo subsequente da cadeia. É um equívoco, estão induzindo as pessoas ao equívoco”, disse.
Roscoe comparou a situação a uma eventual decisão da Arábia Saudita de proibir a exportação de petróleo bruto e comercializar apenas derivados.
O candidato também citou investimentos realizados durante sua atuação na Fiemg em um laboratório e uma planta de ímãs permanentes em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
“Eu sou a única pessoa no Brasil que investiu nisso antes. Comprei um laboratório, comprei uma planta de ímãs permanentes, a única das Américas, tá aqui em Minas Gerais, em Lagoa Santa, justamente para desenvolver a tecnologia”, declarou.
As informações sobre a estrutura e o desenvolvimento tecnológico foram apresentadas pelo próprio candidato durante a entrevista.
Servidores públicos
Roscoe defendeu ainda a valorização do funcionalismo e afirmou que pretende recuperar o que chamou de “vocação do serviço público”.
“Um servidor público está aqui para servir as pessoas. As pessoas dependem dele. É uma tarefa que não é para qualquer um, é para poucos. É para quem tem uma vocação. E a gente tem que recuperar isso no servidor”, disse.
Como exemplo de gestão de equipes, o candidato citou sua passagem pela presidência da Fiemg e afirmou que priorizou a valorização dos funcionários da entidade.
Experiência e entrada na política
Roscoe também reconheceu que o baixo conhecimento de seu nome entre os eleitores representa uma dificuldade, mas afirmou acreditar que a campanha pode ajudá-lo a apresentar sua trajetória.
“O fato de eu não ser conhecido é ruim por um lado, mas a campanha vai me permitir exatamente isso, que o eleitor me conheça”, disse.
O candidato afirmou que já havia recebido convites para concorrer em eleições anteriores, mas decidiu permanecer na Fiemg para concluir o mandato.
Ao justificar a candidatura ao governo, Roscoe disse que avaliou os nomes disponíveis e decidiu entrar na disputa por considerar que Minas “precisava de mais”.
“Eu vou colocar meu nome para o Executivo. Por quê para o Executivo? Porque é onde você pode fazer a diferença, onde eu tenho experiência de gestão”, afirmou.