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Roscoe critica proibição da exportação de terras raras: ‘É dinheiro, e não é pouco’

Por Igor Teixeira Rede 98
04/09/2026 20:17 Atualizado há 2 horas
(Foto: 98News)

O candidato ao governo de Minas Gerais Flávio Roscoe (PL) criticou, nesta sexta-feira (04/9), propostas para proibir a exportação de terras raras em estado bruto pelo Brasil. Durante sabatina da Rede 98, no 98 Talks, Roscoe defendeu que o país avance na industrialização desses minerais, mas afirmou que impedir a venda da matéria-prima ao exterior seria um “equívoco” e poderia dificultar novos projetos no setor.

“Eu quero vender a terra rara bruta, eu quero vender ela industrializada, eu quero vender de todas as maneiras que a gente puder, porque é dinheiro, e não é pouco, é muito dinheiro”, afirmou.

Roscoe argumentou que a possibilidade de exportação da commodity pode ajudar a garantir viabilidade econômica aos projetos e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento das etapas industriais da cadeia produtiva.

“Não é proibindo a exportação do produto que você desenvolve o elo subsequente da cadeia. É um equívoco, estão induzindo as pessoas ao equívoco”, declarou.

Comparação com petróleo

O candidato comparou uma eventual proibição da exportação de terras raras à hipótese de a Arábia Saudita deixar de comercializar petróleo bruto e passar a vender somente produtos derivados.

“Seria como se a Arábia Saudita proibisse a exportação do petróleo. Ela falasse assim: ‘Não, agora eu só vendo gasolina, querosene ou plástico’. Não ia ajudar em nada, porque outros países vão vender petróleo. Terra rara é a mesma coisa”, disse.

Segundo Roscoe, impedir a exportação poderia comprometer a viabilidade econômica de empreendimentos brasileiros enquanto o país ainda desenvolve capacidade tecnológica para processar esses minerais.

“Nós vamos sentar sobre a riqueza e dizer: ‘Não vamos vender’?”, questionou.

Tecnologia em Minas

Roscoe afirmou que investiu anteriormente no desenvolvimento da cadeia de terras raras por meio da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Ele citou a aquisição de um laboratório e de uma planta de ímãs permanentes instalada em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“Eu sou a única pessoa no Brasil que investiu nisso antes. Comprei um laboratório, comprei uma planta de ímãs permanentes, a única das Américas, tá aqui em Minas Gerais, em Lagoa Santa, justamente para desenvolver a tecnologia”, afirmou.

Segundo o candidato, o Senai de Minas Gerais trabalha no desenvolvimento da tecnologia necessária para avançar no processamento desses minerais no país. As afirmações sobre a estrutura e a tecnologia foram apresentadas por Roscoe durante a sabatina.

Dependência da China

Roscoe também apontou a concentração da cadeia de terras raras na China como um risco estratégico. Segundo ele, a tecnologia para produção de ímãs permanentes é dominada principalmente pelos chineses.

“Eles confiaram na China. Todo mundo deixou a terra rara do mundo para a China, a tecnologia, a produção, os ímãs permanentes. O que a China fez quando dominou tudo? Agora baniu a exportação dos ímãs permanentes para o resto do mundo”, afirmou.

Para Roscoe, o caminho para Minas e para o Brasil é desenvolver tecnologia e agregar valor aos minerais sem impedir a comercialização da matéria-prima.

“Porque nós desejamos que a terra seja industrializada”, disse.

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Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.