O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou que é favorável à saída do irmão, Flávio Bolsonaro (PL), do Brasil caso ele perca a eleição presidencial. A declaração foi feita nesta sexta-feira (23/10), durante entrevista ao programa “Louder with Crowder”, apresentado pelo comentarista político americano Steven Crowder. Flávio disputa o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para domingo (25/10).
“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”, afirmou Eduardo durante a conversa, transmitida ao vivo nos Estados Unidos.
A declaração ocorreu após uma pergunta de um espectador sobre o que a família Bolsonaro faria caso Flávio perdesse a eleição e sobre possíveis planos para ajudar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Inicialmente, Eduardo respondeu em tom de brincadeira: “Mandar os fuzileiros navais”. Depois, explicou que Lula teria ameaçado investigar o irmão caso ele perdesse o mandato de senador e ficasse sem imunidade parlamentar.
Eduardo questiona segurança das urnas eletrônicas
Durante a mesma entrevista, Eduardo também colocou em dúvida a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras. Ele criticou a ausência de uma contagem pública de cédulas de papel e afirmou que o sistema exige confiança nos equipamentos utilizados para registrar os votos.
“O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”, declarou.
Eduardo também citou uma frase que atribuiu ao ditador soviético Josef Stálin para questionar a apuração eleitoral. “Então, da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve”, afirmou.
O ex-deputado ainda criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) por decisões que barraram propostas de voto impresso aprovadas pelo Congresso Nacional. Os dispositivos foram derrubados pela Corte sob o entendimento de que ameaçavam o sigilo do voto.
O que se sabe sobre a segurança das urnas
A urna eletrônica é utilizada no Brasil desde 1996, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que nunca houve fraude comprovada no sistema. Ao fim da votação, cada equipamento imprime o boletim de urna, com a quantidade de votos registrados para cada candidato naquela seção.
Uma via do documento é afixada no local de votação, fiscais partidários podem receber cópias e os resultados também são disponibilizados na internet. Esses dados permitem comparar os números registrados em cada seção com os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral.
O Congresso aprovou propostas relacionadas ao voto impresso em diferentes momentos. Entretanto, dispositivos aprovados em 2009 e 2015 foram declarados inconstitucionais pelo STF, em decisões que consideraram o risco ao sigilo do voto.
Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025. Em dezembro daquele ano, a Câmara dos Deputados declarou a perda do mandato parlamentar por excesso de faltas às sessões.
Em junho de 2026, a Primeira Turma do STF o condenou, por unanimidade, a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), aceita pelo tribunal, Eduardo atuou junto ao governo americano para pressionar autoridades brasileiras durante o julgamento do pai no processo relacionado à trama golpista.
A condenação tornou-se definitiva em 3 de outubro, sem possibilidade de novos recursos. Em decisão assinada no dia 7 daquele mês, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena e o cancelamento dos passaportes brasileiros de Eduardo.
As declarações sobre as urnas e sobre uma possível saída de Flávio do país ocorrem dois dias antes do segundo turno presidencial. Até o momento, não há confirmação de que o senador tenha decidido deixar o Brasil em caso de derrota.