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Eduardo Bolsonaro questiona urnas eletrônicas e defende que Flávio deixe o Brasil se perder eleição

Por Lucas Parreiras • Rede 98
23/10/2026 17:33 Atualizado há 2 horas
( Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou que é favorável à saída do irmão, Flávio Bolsonaro (PL), do Brasil caso ele perca a eleição presidencial. A declaração foi feita nesta sexta-feira (23/10), durante entrevista ao programa “Louder with Crowder”, apresentado pelo comentarista político americano Steven Crowder. Flávio disputa o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para domingo (25/10).

“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”, afirmou Eduardo durante a conversa, transmitida ao vivo nos Estados Unidos.

A declaração ocorreu após uma pergunta de um espectador sobre o que a família Bolsonaro faria caso Flávio perdesse a eleição e sobre possíveis planos para ajudar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Inicialmente, Eduardo respondeu em tom de brincadeira: “Mandar os fuzileiros navais”. Depois, explicou que Lula teria ameaçado investigar o irmão caso ele perdesse o mandato de senador e ficasse sem imunidade parlamentar.

Eduardo questiona segurança das urnas eletrônicas

Durante a mesma entrevista, Eduardo também colocou em dúvida a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras. Ele criticou a ausência de uma contagem pública de cédulas de papel e afirmou que o sistema exige confiança nos equipamentos utilizados para registrar os votos.

“O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”, declarou.

Eduardo também citou uma frase que atribuiu ao ditador soviético Josef Stálin para questionar a apuração eleitoral. “Então, da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve”, afirmou.

O ex-deputado ainda criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) por decisões que barraram propostas de voto impresso aprovadas pelo Congresso Nacional. Os dispositivos foram derrubados pela Corte sob o entendimento de que ameaçavam o sigilo do voto.

O que se sabe sobre a segurança das urnas

A urna eletrônica é utilizada no Brasil desde 1996, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que nunca houve fraude comprovada no sistema. Ao fim da votação, cada equipamento imprime o boletim de urna, com a quantidade de votos registrados para cada candidato naquela seção.

Uma via do documento é afixada no local de votação, fiscais partidários podem receber cópias e os resultados também são disponibilizados na internet. Esses dados permitem comparar os números registrados em cada seção com os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral.

O Congresso aprovou propostas relacionadas ao voto impresso em diferentes momentos. Entretanto, dispositivos aprovados em 2009 e 2015 foram declarados inconstitucionais pelo STF, em decisões que consideraram o risco ao sigilo do voto.

Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025. Em dezembro daquele ano, a Câmara dos Deputados declarou a perda do mandato parlamentar por excesso de faltas às sessões.

Em junho de 2026, a Primeira Turma do STF o condenou, por unanimidade, a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), aceita pelo tribunal, Eduardo atuou junto ao governo americano para pressionar autoridades brasileiras durante o julgamento do pai no processo relacionado à trama golpista.

A condenação tornou-se definitiva em 3 de outubro, sem possibilidade de novos recursos. Em decisão assinada no dia 7 daquele mês, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena e o cancelamento dos passaportes brasileiros de Eduardo.

As declarações sobre as urnas e sobre uma possível saída de Flávio do país ocorrem dois dias antes do segundo turno presidencial. Até o momento, não há confirmação de que o senador tenha decidido deixar o Brasil em caso de derrota.

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Lucas Parreiras
Lucas Parreiras
Estagiário de Jornalismo da 98News. Jornalista em formação pela PUC Minas. Atuou na produção de reportagens e apuração na TV Band Minas e Rádio BandNews FM.