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Flávio Bolsonaro chama mãe de Ana Clara pelo nome da filha morta durante debate

Por Ludmila Souza • Rede 98
24/10/2026 00:52 Atualizado há 2 horas
Flávio Bolsonaro
Flávio passou a integrar a equipe de defesa do policial militar acusado em 2024. (Foto: Reprodução / Globoplay)

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) errou ao se dirigir a Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, menina de cinco anos morta por tiros de fuzil em Niterói (RJ), em 2021. Durante o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23/10), Flávio chamou Cristiane pelo nome da própria filha ao responder a uma pergunta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre sua atuação na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pela morte da criança. A mãe estava na plateia e reagiu com gritos de “mentiroso” e “Ana Clara morreu”.

“Ana Clara, eu quero falar para a senhora, prestar de verdade a minha solidariedade por uma tragédia que aconteceu”, afirmou Flávio. Na sequência, declarou acreditar que o policial não foi o autor do disparo. “Eu tenho a confiança que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda”, acrescentou.

Lula questionou por que Flávio atua na defesa de Delaroli, denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por homicídio doloso. O senador passou a integrar a equipe jurídica do policial em 2024 e assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que determinou o julgamento do agente pelo Tribunal do Júri. Embora o pedido tenha sido rejeitado, o julgamento, inicialmente marcado para a última quarta-feira, 21 de outubro , foi remarcado para 5 de maio de 2027.

Caso Ana Clara aguarda julgamento desde 2021

Ana Clara morreu em 2 de fevereiro de 2021, após ser atingida por dois tiros de fuzil enquanto brincava na porta de casa, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Delaroli foi preso em flagrante e denunciado pelo MPRJ por homicídio doloso, quando há intenção de matar ou se assume o risco de provocar a morte. O policial passou a responder ao processo em liberdade em novembro de 2021.

A Justiça do Rio de Janeiro determinou que o agente fosse julgado pelo Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida. A defesa sustenta que ele reagiu a uma agressão durante uma operação policial. Já a acusação aponta que o disparo foi feito em direção a uma área residencial, com risco de atingir moradores. O policial ainda não foi condenado definitivamente.

Mãe cobra explicações sobre atuação do senador

Cristiane acompanhou o debate na primeira fila, entre os convidados de Lula. Antes do confronto, ela afirmou que queria ouvir explicações de Flávio sobre sua participação na defesa do policial e a tentativa de reverter a decisão que o levou ao Tribunal do Júri.

“Estou animada para ele explicar por que ele defendeu o assassino da minha filha. Já que ele nunca me procurou, eu vim até ele”, declarou em vídeo divulgado nas redes sociais pelo deputado federal eleito Marcelo Freixo (PT).

Cristiane afirma que não questiona o direito de defesa do policial, mas critica a atuação do senador para tentar impedir o julgamento. Ela também questiona o uso da influência política de Flávio no caso.

“A questão é ele ser um senador, usar esse poder, essa força que ele tem na política para anular um júri. Ele não está defendendo, está atuando para não acontecer um júri de um cara que matou uma criança de cinco anos”, afirmou.

A mãe também relatou que não recebeu apoio da equipe do senador e cobrou justiça pela morte da filha.

Caso entrou na disputa presidencial

A atuação de Flávio na defesa do policial ganhou espaço na campanha presidencial. Lula já havia questionado o adversário sobre o caso durante o debate da Band, em 18 de outubro. Na ocasião, o senador afirmou que o exercício da advocacia não deveria ser criminalizado e ressaltou que o policial ainda não havia sido julgado.

A morte de Ana Clara também ganhou repercussão nacional com o documentário O Julgamento que Nunca Aconteceu, da série jornalística Revelando, que aborda as investigações e a atuação de Flávio na defesa do policial.

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Ludmila Souza
Ludmila Souza
Graduada em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e repórter da Rede 98 desde 2025. É fotógrafa e amante de narrativas visuais.