O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) e o partido acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quarta-feira (23/9), para pedir a investigação de publicações pagas feitas por perfis estrangeiros no X com conteúdo favorável à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A representação também pede a retirada das postagens e o bloqueio, no Brasil, de anúncios da plataforma de apostas Polymarket relacionados à eleição.
A ação está sob relatoria do ministro André Mendonça, juiz auxiliar da propaganda eleitoral do TSE. Renan e o Missão alegam que as publicações podem representar interferência estrangeira no processo eleitoral e uso de recursos externos à contabilidade oficial de campanha. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral.
Cinco perfis são citados: Visegrád24, Matt Gaetz, Geiger Capital, Eric Daugherty e UHN Plus. Segundo a representação, as contas fizeram publicações sobre a eleição brasileira identificadas pelo X como “parcerias pagas”, com conteúdo direcionado ao público brasileiro e favorável a Flávio.
A ação também inclui o X Brasil Internet Ltda. e pede que a plataforma preserve e forneça informações que permitam identificar os responsáveis pelos perfis e a origem dos recursos usados nas publicações.
Renan fala em ‘interferência americana’
Renan afirma que os perfis são ligados à direita norte-americana e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para o candidato, o financiamento das publicações configuraria interferência externa e uso de dinheiro fora da campanha de Flávio.
“Nós ingressamos no TSE com uma ação contra o Flávio Bolsonaro por conta da interferência americana nas eleições brasileiras. Agora, através de uma novidade, perfis norte-americanos ligados ao Trump, perfis enormes ligados à direita, estão impulsionando conteúdo pago para eleitores brasileiros. Isso não é apenas interferência externa, como também é dinheiro impulsionado fora da campanha. Crime eleitoral”, afirmou.
A classificação da prática como crime eleitoral é uma alegação de Renan e ainda depende da análise da Justiça Eleitoral.
Publicações citam plataforma de apostas
De acordo com a representação, parte das publicações associava dados da Polymarket a mensagens favoráveis à candidatura de Flávio. O Missão sustenta que os perfis foram remunerados pela empresa e que as postagens constituiriam publicidade paga de conteúdo político-eleitoral.
Além da retirada imediata das cinco publicações e da aplicação de multa, Renan e o partido pedem o bloqueio, no Brasil, de anúncios da Polymarket relacionados à eleição brasileira.
Esta é a segunda vez que Renan e o Missão recorrem ao TSE para pedir uma apuração relacionada a uma suposta interferência estrangeira na eleição.