O coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou nesta segunda-feira (13/7) a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu, por 90 dias, as visitas de Flávio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para o parlamentar, a medida representa uma “clara interferência no jogo político” e tenta deixar Bolsonaro incomunicável durante a campanha eleitoral.
A decisão de Moraes foi tomada após Flávio Bolsonaro divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo pai durante uma visita à residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. Além de suspender as visitas, o ministro determinou que a defesa de Bolsonaro esclareça, em até 48 horas, se ele sabia que o documento seria divulgado publicamente, e encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada.
Marinho fala em perseguição política
Em nota, Rogério Marinho afirmou que a decisão é desproporcional e criticou a atuação do Supremo.
“A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição.”
Segundo o senador, impedir o contato entre pai e filho durante a pré-campanha presidencial ultrapassa os limites das medidas cautelares impostas ao ex-presidente.
Decisão vale até o primeiro turno
A proibição imposta por Alexandre de Moraes tem duração de 90 dias e deve permanecer em vigor até 11 de outubro, data do primeiro turno das eleições.
Na decisão, o ministro entendeu que Flávio utilizou a visita ao pai para obter uma carta destinada exclusivamente à divulgação nas redes sociais, o que, segundo Moraes, configuraria descumprimento da proibição imposta a Jair Bolsonaro de utilizar plataformas digitais direta ou indiretamente.
No último sábado (11/7), Flávio leu a carta durante uma transmissão ao vivo. No texto, Bolsonaro pediu que apoiadores deixassem “as possíveis diferenças de lado” e se unissem em torno da pré-candidatura do filho à Presidência da República, a quem chamou de seu “porta-voz” e da “melhor opção” para o país.