Projetos musicais criados por inteligência artificial já movimentam milhões de dólares nas plataformas de streaming. Segundo levantamento da empresa Kapwing, publicado pelo site MusicTech, os dez maiores projetos de música gerada por IA acumularam cerca de US$ 6,1 milhões em receita entre streams e visualizações.
Quanto cada plataforma pagou
O YouTube concentra a maior fatia do faturamento.
- YouTube: cerca de US$ 3,7 milhões, a partir de 1,75 bilhão de visualizações
- Spotify: cerca de US$ 2,38 milhões, a partir de 595 milhões de streams
Quem lidera o ranking
No Spotify, o destaque é a artista de IA Enlly Blue, com 95,2 milhões de reproduções e receita estimada em US$ 380 mil.
No YouTube, o primeiro lugar é do projeto Cherry 葵 Nightcore, com cerca de 941 milhões de visualizações e receita estimada em US$ 2 milhões — mais da metade de tudo o que os dez projetos faturaram na plataforma de vídeo.
O que isso significa para os músicos
A questão levantada pelo artigo é direta: se músicas de IA conseguem gerar esse volume de reproduções e receita, elas passam a disputar o espaço de artistas humanos que dedicaram anos a estudo, composição e gravação.
O vocalista da banda I Prevail já alertou publicamente para bandas de IA ocupando vagas em playlists de streaming.
O outro lado do debate
Nem todo o setor vê a IA como ameaça. Dave Stewart, do Eurythmics, defende que músicos abracem a tecnologia. A Roland anunciou uma ferramenta de IA apresentada como “parceira criativa”, e a Suno trabalha para reinventar a descoberta de shows com inteligência artificial. A Deezer seguiu caminho oposto e lançou uma ferramenta para detectar músicas feitas por IA.
Os dados sobre uso profissional são menos alarmistas que o debate:
- 87% dos músicos já usam IA no processo criativo
- Apenas 6% dos produtores profissionais usam IA generativa com regularidade
- Músicas rotuladas como “feitas por IA” despertam mais emoções positivas nos ouvintes, segundo pesquisa
