O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta sexta-feira (24/7), investimentos nas Forças Armadas e afirmou que o Brasil precisa estar preparado para proteger sua soberania e suas riquezas. A declaração ocorre na semana em que os Estados Unidos ampliaram as tarifas sobre produtos brasileiros.
Durante visita à empresa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), Lula afirmou que o país deve investir em armamentos, tecnologia e conhecimento científico para garantir capacidade de defesa.
“Eu quero as Forças Armadas bem preparadas, bem treinadas, com os soldados que forem suficientes para tomar conta desse país. E quero elas bem preparadas do ponto de vista do poderio de armamento, de conhecimento científico e tecnológico, para que a gente possa andar de cabeça erguida, sem nenhuma arrogância, falando em paz, mas preparado para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país”, afirmou.
Presidente cita riquezas brasileiras e defende fortalecimento da Defesa
Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, Lula afirmou que o Brasil precisa tratar a área de Defesa como prioridade diante do cenário internacional e para proteger riquezas estratégicas, como minerais críticos e terras raras.
O presidente também rebateu críticas sobre investimentos nas Forças Armadas e comparou a instituição à fé religiosa.
“Nós precisamos levar em conta que a Defesa é séria. Porque, se a gente vai conversar com algumas pessoas, elas falam: ‘Vai gastar dinheiro com Forças Armadas? Para quê? Não precisamos disso’. Eu sempre falo isso. As Forças Armadas são que nem Deus. Você pode não acreditar, mas a primeira vez que você tiver dor de barriga, vai dizer: ‘Ai, meu Deus’. Então as Forças Armadas são a mesma coisa.”
Lula cita conflitos internacionais
Ainda no discurso, Lula afirmou que o Brasil é um país voltado para a paz, mas disse que o cenário internacional exige preparação militar. Sem citar nomes, o presidente afirmou que há “loucos pelo mundo querendo fazer guerra” e relembrou a Guerra do Paraguai para defender o fortalecimento da Defesa nacional.
“A gente tem fronteira com todos os países da América do Sul, menos com o Chile e com o Equador. A gente tem a África na nossa frente e a gente tem os loucos pelo mundo querendo fazer guerra. A gente não pode se esquecer que, embora a gente só goste de paz, a gente seja de paz, um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. (…) Aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos.”
Declaração ocorre após aumento das tarifas dos EUA
As declarações foram dadas poucos dias após os Estados Unidos anunciarem novas tarifas sobre produtos brasileiros. Nesta semana, o governo norte-americano impôs uma sobretaxa de 12,5% com base em uma investigação sobre trabalho forçado, que se soma à tarifa de 25% anunciada anteriormente contra produtos do Brasil.
Em resposta, o governo brasileiro classificou as medidas como “arbitrárias” e “injustificadas” e anunciou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC), além de acionar os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.