Em entrevista exclusiva à Rede 98, nesta terça-feira (20/1), Pedro Daniel, CEO do Atlético, esclareceu dúvidas sobre as dívidas financeiras do Galo em 2026. Um dos pontos de destaque foi a diminuição dos valores em relação à era “pré-SAF”. Segundo Pedro, o alvinegro deve, atualmente, cerca de R$ 500 milhões a menos do que em 2023, quando adotou o modelo.
“Não, ela não triplicou. A dívida, quando foi feita a operação da SAF, estava próxima de R$ 2 bilhões. Hoje, estamos fechando o ano em algo em torno de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,5 bilhão. Depende de como isso vai ser contabilizado.”
Pedro explicou que a dívida não pode ser analisada apenas pelos valores que o Galo precisa pagar aos credores ou aos clubes pela contratação de atletas, já que o clube atua com um fluxo de caixa maior do que nos últimos anos, o que permite uma redução gradativa das contas a pagar.
“Quando a gente fala se a dívida está equalizada ou não, não é o tamanho da dívida. Hoje, o Galo fatura R$ 800 milhões. Ele tem uma exposição menor do que tinha quando faturava R$ 400 milhões. Proporcionalmente falando, a dívida está mais equalizada do que no período pré-SAF”, afirmou.
“Sobre o tamanho da dívida e a saúde financeira de um clube, você não analisa se ele deve R$ 50 milhões ou R$ 1 bilhão; esse não é o indicador exato. Se eu ganho um salário mínimo e devo R$ 50 mil ao banco, eu estou quebrado. Agora, se eu tenho um salário de R$ 100 mil e devo os mesmos R$ 50 mil, está tranquilo”, completou.
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Galo é mau pagador?
O CEO também rebateu as críticas sobre a fama de “mau pagador” do Atlético, afirmando que o clube tem um planejamento estruturado para o pagamento das dívidas e que, inclusive, conversou com os clubes credores para quitar os vencimentos.
“Esse é um desafio constante. Eu ainda tenho pouco tempo de casa, mas fizemos o seguinte: levantamos tudo aquilo que é o passivo, o que está a vencer e o que já está vencido do Atlético. A partir disso, começamos a analisar quais têm maior ou menor impacto, quais apresentam mais ou menos risco. Se você deixa de pagar um clube do exterior, corre o risco de transfer ban em uma velocidade maior do que com um clube brasileiro. Fizemos toda uma análise criteriosa nesse sentido.”
“Dívidas com clubes brasileiros: fomos ligando quase que um a um. Cristiano, do Cuiabá, Botafogo, Athletico Paranaense. Fomos listando as que têm maior risco e maior impacto, para que possamos recuperar e manter a credibilidade necessária no mercado. Nosso mercado é pequeno e, para que a gente tenha o selo de bom pagador, de credibilidade, isso faz parte do trabalho. A gente iniciou esse processo. Existem valores vencidos e a vencer.”
Salários em dia
Por fim, o dirigente negou que o Galo tenha, atualmente, atrasos nos pagamentos a jogadores e funcionários. Em julho do ano passado, vários atletas do Atlético entraram com ações judiciais contra o clube, alegando atrasos salariais. Rony, por exemplo, pediu para deixar o clube.
Pedro, no entanto, esclareceu que “não há um centavo atrasado” para nenhum funcionário e destacou que o pagamento de salários é tratado como prioridade interna no Atlético, independentemente da situação financeira.
“Nós fizemos toda uma análise criteriosa nesse sentido. O que identificamos foi o seguinte: salário e direito de imagem estão 100% em dia. Isso é indiscutível dentro do Atlético. Salário, direito de imagem e tudo aquilo que impacta a operação no dia a dia são tratados como prioridade.”
Em outro momento, o CEO confirmou um aporte de R$ 500 milhões para 2026, mas esclareceu que o recurso será utilizado exclusivamente para o pagamento das dívidas onerosas do clube, sem investimentos diretos no futebol.
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