O custo da cesta básica subiu em Belo Horizonte e colocou a capital mineira entre as maiores altas do país em março. Segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a cesta avançou 6,44% na capital mineira, em um movimento puxado principalmente pelo feijão, tomate, batata, carne bovina e leite.
O aumento acompanha uma tendência nacional: os preços dos alimentos subiram nas 27 capitais pesquisadas. No caso de BH, a alta foi uma das mais fortes do mês e reforça o peso crescente da alimentação no orçamento das famílias.
BH teve a quinta maior alta entre as capitais
No ranking das capitais com maiores aumentos da cesta básica em março, Belo Horizonte aparece na quinta posição. As maiores altas foram registradas em:
1. Manaus: 7,42%
2. Salvador: 7,15%
3. Recife: 6,97%
4. Maceió: 6,76%
5. Belo Horizonte: 6,44%
6. Aracaju: 6,32%
7. Natal: 5,99%
8. Cuiabá: 5,62%
9. João Pessoa: 5,53%
10. Fortaleza: 5,04%
O dado mostra que a pressão dos alimentos foi mais intensa justamente em capitais onde itens básicos tiveram forte impacto climático e logístico.
Feijão lidera alta e chuva pesa no bolso
O feijão foi o produto com maior pressão nacional. O levantamento mostra que o grão subiu em todas as cidades pesquisadas, influenciado pela restrição de oferta, dificuldades na colheita, redução de área plantada e expectativa de menor produção na segunda safra.
Além do feijão, também pesaram na cesta: feijão, batata, tomate, carne bovina e leite. No caso dos três primeiros, o excesso de chuvas nas principais regiões produtoras foi decisivo para a alta.
Quanto a comida pesa no orçamento
O estudo mostra que, com o salário mínimo em R$ 1.621, o trabalhador comprometeu, em média, 48,12% da renda líquida para adquirir os itens básicos da cesta nas capitais pesquisadas. Em março, o tempo médio necessário para comprar os produtos foi de 97 horas e 55 minutos, acima do registrado no mês anterior.
Embora o levantamento destaque o valor médio nacional, o cenário em Belo Horizonte chama atenção porque a capital está entre as que tiveram maior aceleração mensal dos preços.
O que ficou mais barato
Na contramão dos demais alimentos, o açúcar teve queda em 19 capitais, movimento associado ao excesso de oferta. Ainda assim, o recuo não foi suficiente para aliviar a pressão geral da cesta.
O que explica a alta
O aumento da cesta básica em março reflete uma combinação de fatores. O principal deles foi o excesso de chuvas, que afetou colheitas e reduziu a oferta de produtos importantes no consumo diário. Também pesaram a menor área plantada em algumas culturas e a incerteza sobre a produção das próximas safras.
Na prática, o resultado aparece direto no caixa do supermercado e pressiona ainda mais o orçamento das famílias, especialmente nas capitais onde a inflação dos alimentos avançou acima da média.
Com Agência Brasil
