Juiz de Fora vive o fevereiro mais chuvoso da história recente. A cidade já acumula 752,4 milímetros de chuva até a manhã desta sexta-feira (27/2), volume 342% acima da média histórica, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Na prática, o município recebeu quatro vezes mais chuva do que o esperado para todo o mês. É o maior acumulado entre as estações convencionais do Inmet em Minas Gerais neste período.
O excesso de água ajuda a explicar o cenário de destruição registrado na cidade da Zona da Mata, com deslizamentos de terra, casas soterradas e bairros isolados. Quando o solo atinge esse nível de saturação, perde capacidade de absorver água e sustentação estrutural — o que aumenta o risco de desmoronamentos, inclusive sem chuva intensa no momento.
Belo Horizonte e outras cidades também superam a média
O padrão de volumes elevados se repete em outras regiões do estado. Em Belo Horizonte, já choveu 368,1 milímetros em fevereiro, índice 107% acima da média climatológica.
No Norte de Minas, Januária acumula 323,6 milímetros, com desvio de 166% acima do normal. Em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, o acumulado chega a 218 milímetros, o que representa 175% acima da média histórica para o mês.
Lavras, no Sul de Minas, também aparece entre os maiores desvios, com 343,2 milímetros — 93% acima da média.
Risco continua mesmo sem chuva forte
Especialistas alertam que, com o solo já encharcado, o risco de novos deslizamentos permanece elevado, mesmo em períodos de trégua nas precipitações.
A orientação das autoridades é que moradores de áreas de encosta ou próximas a barrancos fiquem atentos a sinais como rachaduras em paredes, inclinação de postes e árvores e surgimento de fendas no terreno.
Em caso de risco iminente, a recomendação é acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.
