A falta de investimentos em manutenção, infraestrutura e prevenção ajuda a explicar o colapso do trânsito de Belo Horizonte durante os períodos de chuva. A avaliação é da especialista em segurança e educação para o trânsito Roberta Torres, que afirma que os problemas se repetem nos mesmos pontos e poderiam ser evitados com planejamento antecipado.
Semáforos que deixam de funcionar, cruzamentos congestionados e importantes corredores viários comprometidos voltaram a fazer parte da rotina da capital durante a chuva desta quinta-feira.
Entre sete e nove da manhã, oito das dez regionais de Belo Horizonte registraram acumulados de pelo menos 10,6 milímetros. O volume corresponde à média esperada para todo o mês de agosto.
Para Roberta Torres, a chuva não pode ser usada como justificativa para os transtornos quando as falhas são recorrentes.
“A chuva não pode ser usada como justificativa para todo colapso do trânsito numa cidade quando os problemas se repetem nos mesmos pontos e sempre nos mesmos períodos. Isso demonstra falta de manutenção preventiva nos semáforos, falta de infraestrutura e falta de um plano de contingência que prepare as operações de trânsito com antecedência. Sabendo da previsão e das condições adversas do tempo, as equipes já deveriam estar preparadas antes da chuva começar.”
Nesta quinta-feira, semáforos apresentaram problemas em vias como as avenidas Barão Homem de Melo, Pedro II, Tereza Cristina, Amazonas, Antônio Carlos, Nossa Senhora do Carmo e Cristiano Machado.
A especialista também defende a ampliação do uso de tecnologia para antecipar os impactos das tempestades.
“Belo Horizonte já trabalha com o monitoramento de áreas de inundação, bloqueios viários, atualização de rotas em conjunto com aplicativos e lançou um projeto de semáforos inteligentes com monitoramento em tempo real. Ou seja, a tecnologia e a inteligência artificial para atuação preventiva já existem. Agora, o caminho é ampliar a implementação dessas ferramentas na malha viária da cidade.”
Em nota, a BHTrans informou que enviou equipes de manutenção aos locais assim que as falhas foram identificadas. Agentes de trânsito também atuaram nos principais cruzamentos para orientar os motoristas e reduzir os impactos no fluxo.
