A FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) afirmou ver com preocupação a retomada do confronto entre Estados Unidos e Irã e as declarações feitas nesta segunda-feira (13/07) pelo presidente americano, Donald Trump. Para a entidade, a escalada das tensões no Estreito de Ormuz amplia a imprevisibilidade das operações internacionais e acende um alerta para os setores produtivos brasileiro e mineiro.
O que Trump anunciou
Donald Trump anunciou o restabelecimento do bloqueio naval a embarcações iranianas e afirmou que os Estados Unidos pretendem cobrar uma tarifa de 20% sobre as cargas transportadas pelo estreito, como ressarcimento pelos custos das operações de segurança conduzidas pelo governo americano na região.
O governo iraniano rejeitou qualquer interferência dos Estados Unidos no controle da passagem marítima e ameaçou retaliar embarcações e países do Golfo que colaborarem com Washington.
O que muda em relação à trégua de junho
A escalada interrompe a expectativa de normalização criada pelo entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã em 17 de junho, que previa uma trégua de 60 dias para negociações e a retomada gradual do tráfego marítimo.
Segundo a FIEMG, o agravamento das tensões pode gerar efeitos em cadeia sobre preços de combustíveis, energia e insumos estratégicos, além de pressionar fretes e seguros marítimos.
As medidas americanas ainda não foram oficializadas pela Casa Branca e dependem de definições operacionais. Ainda assim, avalia a entidade, a maior percepção de risco tende a ser rapidamente incorporada aos custos logísticos e aos contratos de transporte e seguro.
Os números do impacto em Minas
Levantamento do Centro Internacional de Negócios da FIEMG, com base em dados do Comex Stat, já identifica efeitos das restrições:
- US$ 1,04 bilhão — comércio do Brasil com oito países do Oriente Médio em maio de 2026, o menor valor mensal desde janeiro de 2021.
- Queda de 44% — exportações de Minas Gerais para esses mercados de março a maio deste ano, ante o mesmo período de 2025.
- Queda de 71% — importações mineiras no mesmo intervalo.
- Alta de cerca de 185% — preço médio das importações mineiras de enxofre em maio, na comparação com o mesmo mês de 2025.
Entre os produtos mais afetados estão o minério de ferro e o enxofre, insumo estratégico para a fabricação de fertilizantes.
O que a FIEMG recomenda às empresas
A entidade reforça que as empresas devem acompanhar permanentemente as condições de transporte, os contratos de seguro, os prazos de entrega e os preços dos insumos importados.
A FIEMG também destaca a importância de diversificar mercados, fornecedores e rotas logísticas, especialmente para produtos essenciais à indústria e ao agronegócio.
Por que isso importa para a indústria mineira
A continuidade das tensões no Estreito de Ormuz pode comprometer a recuperação dos fluxos comerciais observada após o anúncio da trégua, em junho.
Além do impacto direto no comércio com o Oriente Médio, a manutenção dos preços do petróleo em patamares elevados pode aumentar os custos de transporte e de produção em diferentes cadeias industriais, afetando a competitividade das empresas mineiras e brasileiras.
