Em meio à greve dos garis em Belo Horizonte, a viúva do coletor Laudemir Fernandes, Liliane França da Silva, afirmou que os trabalhadores não querem deixar o lixo acumulado nas ruas e que a paralisação é um reflexo da falta de condições mínimas de trabalho. Segundo ela, os profissionais apenas reivindicam segurança e dignidade para exercer a função.
“Eles não querem deixar lixo amontoado. A única coisa que eles querem é trabalhar e limpar a cidade. Esse é o serviço deles, e eles fazem isso com muito prazer”, disse Liliane, ao comentar o movimento dos garis vinculados à empresa Sistemma, responsável por parte da coleta na capital. Ela esteve presente na porta da empresa, onde ocorre nesta manhã a primeira reunião de conciliação com a categoria.
De acordo com os garis, a greve foi motivada pelo descumprimento da legislação trabalhista e pela precarização das condições de trabalho. Entre as denúncias estão jornadas que chegam a 14 horas diárias, caminhões em más condições de uso e atrasos no pagamento de benefícios, como ticket-refeição e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Para Liliane, o movimento é um “grito de socorro” que se arrasta há anos. “Eles saem de casa todos os dias com a intenção de terminar o trabalho e voltar para casa. É só isso que eles querem: condições para concluir o serviço com segurança. Quando essas condições são negadas, a vida deles e da população ficam em risco”, afirmou.
Liliane França da Silva é viúva do coletor Laudemir Fernandes, morto pelo empresário Renê da Silva enquanto trabalhava na coleta de lixo no bairro Vista Alegre, na Zona Oeste de Belo Horizonte, na manhã de 11 de agosto de 2025.