Esquecer o guarda-chuva em casa em um dia de chuva é um transtorno comum para quem precisa sair para trabalhar em Belo Horizonte, cidade conhecida pelas mudanças repentinas no tempo. Foi a partir dessa situação cotidiana que surgiu um modelo de negócio inédito no mundo. Agora, na capital mineira, já é possível pegar guarda-chuvas emprestados e usá-los por até 24 horas de forma gratuita.
A Rentbrella, empresa de compartilhamento de guarda-chuvas, nasceu em 2016 a partir da experiência pessoal do fundador, Nathan Janovich, ao sair do metrô sem proteção contra a chuva. A observação de que as pessoas esperavam a chuva passar por não terem guarda-chuva levou à criação da solução que hoje está presente na capital mineira, outras capitais brasileiras e até em cidades do exterior.
“Eu coloquei a cara na rua, vi que só estava chovendo e todo mundo estava parado, esperando a chuva passar, porque ninguém tinha guarda-chuva. Naquele momento, passou uma bicicleta compartilhada e eu pensei: por que não compartilhar guarda-chuvas também?”, relembra.
A partir dessa ideia, a empresa desenvolveu a tecnologia e, em 2018, lançou as primeiras 50 máquinas de compartilhamento na cidade de São Paulo. O crescimento foi rápido. Uma parceria com a Unimed levou à ampliação para 350 máquinas, instaladas em prédios comerciais e estações de metrô. Em seguida, a Rentbrella iniciou a expansão internacional, chegando a cidades como Nova York e Londres.
De volta ao Brasil, Minas Gerais se tornou um dos focos estratégicos da empresa. “Mesmo sendo um estado onde chove menos do que em outras regiões, Minas tem uma importância econômica e nacional muito grande. Sempre foi um lugar onde a gente quis estar”, afirma Nathan.
No ano passado, a empresa abriu uma fábrica dentro de um presídio em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, fortalecendo ainda mais a operação mineira. A iniciativa impulsionou a produção e viabilizou a expansão comercial.
Em parceria com o transporte público, a Rentbrella conseguiu instalar máquinas no Metrô de Belo Horizonte, integrando o serviço a um ecossistema que já existia em prédios comerciais da capital.
Hoje, além de Belo Horizonte, cidades como Contagem e Betim também contam com o serviço. A empresa negocia agora a chegada de um patrocinador para estampar os guarda-chuvas e as máquinas, o que deve permitir uma nova etapa de expansão em Minas Gerais.
Como funciona o empréstimo de guarda-chuvas
O uso do serviço é simples e totalmente digital. Veja o passo a passo:
- Baixe o aplicativo da Rentbrella no celular.
- Localize a estação mais próxima pelo próprio aplicativo ou ao encontrar uma máquina instalada.
- Leia o QR Code da máquina com o aplicativo.
- O app vai gerar um código (token), que deve ser digitado na máquina.
- Após inserir o código, a máquina libera o guarda-chuva.
“Se a pessoa pega e devolve o guarda-chuva em menos de 24 horas, não paga nada”, explica Nathan Janovich. Caso o prazo seja ultrapassado, é aplicada uma multa de R$ 2, que concede mais 24 horas para a devolução.
Se o guarda-chuva não for devolvido após esse período, novas multas de R$ 2 são aplicadas a cada 24 horas. Após determinado tempo, a cobrança chega a R$ 44, e o usuário não precisa mais devolver o item. Finais de semana e feriados não entram na contagem do prazo.
“Hoje, cerca de 98% das pessoas usam o serviço de forma totalmente gratuita, porque pegam e devolvem dentro das primeiras 24 horas”, destaca.
Para devolver, o processo é semelhante ao da retirada: o usuário localiza uma estação, lê o QR Code, digita o token no equipamento e a máquina indica uma posição livre para a devolução do guarda-chuva.
