Os moradores e visitantes de Belo Horizonte que passam pelo Centro e a Região do Barreiro vêm se surpreendendo com uma cena curiosa. Placas de trânsito viradas para o céu. A cena é comum nas avenidas Afonso Pena e Olinto Meireles. E tem um motivo. Segundo a Prefeitura, nas próximas semanas as vias vão ganhar faixas exclusivas de ônibus.
Na Avenida Afonso Pena, a faixa exclusiva será, ao menos, do Palácio das Artes até a Praça Rio Branco, próximo à rodoviária. Já na Avenida Olinto Meireles as marcações serão feitas entre as ruas Belém e São Paulo da Cruz. O Executivo Municipal informou que ainda não há previsão para o início da operação das faixas.
As marcações fazem parte da estratégia da Prefeitura de Belo Horizonte para dar agilidade ao transporte público. No fim de janeiro, novas faixas entraram em vigor nas avenidas João Pinheiro e Cristóvão Colombo, ambas na Região Centro-Sul da capital mineira.
Efetividade das faixas
A especialista em segurança no trânsito, Roberta Torres, explica que a medida é usada em vários países e vem mostrando resultados positivos.
“Faixa exclusiva é uma medida muito importante para o Município que quer dar importância ao transporte coletivo em detrimento ao transporte privado. O que é feito e desenvolvido em países que conseguiram diminuir o número de sinistros. Pois, os ônibus acabam desenvolvendo uma velocidade média mais baixa, e é um tipo de veículo que leva um número maior de pessoas. Então, o espaço que ocupa na via pública é significativamente menor do que os carros e veículos individuais. Mas, para além de aumentar as faixas exclusivas, é preciso que o Poder Público se preocupe com o número de ônibus, de linhas e horários. Fazer com que o transporte público seja atrativo”, explica.
Muitos motoristas de Belo Horizonte são contra a instalação das faixas exclusivas na cidade, pois diminui o espaço das vias. Para Roberta Torres, as faixas são eficazes, porém, ela volta a alertar que a efetividade completa depende das melhorias no transporte público.
“A alegação de que as faixas exclusivas não funcionam é incorreta e desonesta. Pois funcionam. Mas, depende para quem. Quando você está dentro do ônibus e ele pega uma faixa exclusiva direto e você vê um congestionamento do lado, ela funciona. Mas, para quem está dentro do transporte coletivo. Então é como eu disse. Se tiverem outros elementos que melhorem o transporte coletivo há um incentivo maior para as pessoas optarem pelos ônibus. Mas, aí perpassa pela qualidade, tempo, aumento das linhas, entre outros”, completou.
