A suspensão da vacina contra a dengue produzida pelo Butantan ainda gera dúvidas na população. O médico e infectologista Carlos Starling esclarece que a medida anunciada pelo Ministério da Saúde é um ótimo sinal de que o sistema nacional de vigilância de eventos adversos relacionados a insumos está funcionando.
A aplicação do imunizante foi suspensa após o registro de 42 reações adversas entre cerca de 500 mil pessoas imunizadas. Duas mortes foram registradas e uma está em investigação.
Segundo o especialista, os efeitos adversos são comuns. “Isso faz parte do processo científico nessa fase que nós chamamos de fase quatro do desenvolvimento da vacina. Ela já está sendo aplicada num grande contingente populacional. Aparecem mesmo efeitos adversos que não apareceram na fase três que foi feita com cerca de 10 mil pessoas, em 500 mil pessoas aparecem outros efeitos. Na fase 3, a incidência desses efeitos graves foi de 0,1%. E nesse momento foi detectado efeito colateral em 0,008%. Ou seja, muito menos, cerca de 100 vezes menos”, comentou.
Carlos Starling explica que as ações do Ministério da Saúde são para estabelecer um marco temporal e estudar os casos. Em seguida, será feita uma revisão na bula do imunizante.
“Isso faz parte, isso é normal no processo de desenvolvimento científico e na evolução de um determinado insumo, seja ele um medicamento para tratar uma determinada doença, seja uma vacina. Ou seja, tudo dentro do esperado e é para segurança da própria população que essa interrupção tá sendo feita”, finalizou.
