O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais encerrou oficialmente as buscas pelas vítimas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nesse domingo (25/1), o desastre completou sete anos. A operação termina com duas pessoas não localizadas: Tiago Tadeu Mendes da Silva e Nathália de Oliveira Porto Araújo.
Ao longo de 2.558 dias, os bombeiros vistoriaram mais de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. Segundo a corporação, todo o material despejado na área atingida pelo desastre foi examinado, o que resultou na localização de 268 corpos.
A mobilização envolveu mais de 5 mil militares de Minas Gerais, além do apoio de equipes de outros estados. Os trabalhos contaram com mais de 1.600 horas de voo, realizadas por 31 aeronaves, além da atuação de ao menos 68 cães de busca e do uso de cerca de 120 máquinas.
Agora, a corporação trabalha em um protocolo juntamente com a Polícia Civil, que atua na busca por identificação a partir dos segmentos encontrados.
Para o tenente Henrique Barcellos, porta-voz do Corpo de Bombeiros, o encerramento das buscas traz um misto de sentimentos. “Ter vistoriado todo o rejeito representa o cumprimento de um compromisso assumido, mas também um sentimento de gratidão ao povo mineiro, especialmente à população de Brumadinho, que nos acolheu ao longo de todo esse período. A corporação não é a mesma depois desse episódio. Brumadinho foi uma das maiores expressões do nosso propósito de salvar e valorizar vidas”, afirmou.
2.559 dias
O acidente, ou “tragédia-crime”, como classifica a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (AVABRUM), ocorreu por volta de 12h30 do dia 25 de janeiro de 2019. Duzentas e setenta pessoas foram mortas. Passados 2.559 dias nesta segunda-feira (26/1), ninguém foi responsabilizado criminalmente pelo ocorrido.
Sete anos inteiros do episódio, abre-se possibilidade de que 15 pessoas respondam pelo acidente na Justiça. Dia 23 de fevereiro começam as audiências de instrução na 2ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Belo Horizonte. Até maio de 2027, vítimas não letais, testemunhas e réus serão ouvidos.
Ao final do extenso prazo de audiências, a juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima poderá decidir levar o caso para julgamento em júri popular. Quinze pessoas poderão ser responsabilizadas criminalmente. Onze são ex-diretores, gerentes e engenheiros da Vale, privatizada em 1997, e quatro são empregados da TÜV SÜD, empresa multinacional de capital alemão, contratada para monitorar e atestar a qualidade da barragem que rompeu.
Com Agência Brasil
