O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (17/9) que a Polícia Federal e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiguem a suposta relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com empresas que administram cemitérios de São Paulo.
A decisão ocorre após reportagens apontarem um encontro entre Vorcaro e o ministro André Mendonça, em março de 2025. Na época, Mendonça era relator do caso envolvendo o Banco Master no STF.
Segundo as informações citadas na decisão, fundos ligados ao Banco Master têm participação em empresas que operam cemitérios concedidos pela Prefeitura de São Paulo. O caso começou a tramitar no Supremo em 2023.
Investigação não pode alcançar Mendonça
Dino determinou que a apuração fique restrita à possível relação entre o Banco Master e as concessionárias responsáveis pelos cemitérios.
Qualquer investigação que envolva André Mendonça depende de autorização prévia do STF. A decisão foi encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, a quem cabe analisar eventual abertura de investigação contra ministros do Supremo.
Mendonça confirmou ter se encontrado com Vorcaro em março de 2025. Segundo o ministro, o encontro tratou da tramitação de uma ação em que o Banco Master discutia, no STF, créditos de precatórios de fundos ligados à instituição.
Cemitérios são alvo de ação no STF
Flávio Dino também é relator de uma ação apresentada pelo PCdoB que questiona os preços cobrados pelas empresas responsáveis pelos cemitérios de São Paulo.
Em novembro de 2024, Dino determinou que fossem aplicados os valores dos serviços funerários praticados antes da concessão dos cemitérios à iniciativa privada.
Segundo levantamento do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo, o pacote funerário mais barato custava R$ 428,04 antes das concessões. Depois, o menor valor passou para R$ 1.494,14.
*Estagiário sob supervisão do coordenador Victor Duarte
