O empresário Sérgio Nahas foi preso nesta semana no litoral da Bahia, colocando um ponto final em uma das mais longas e emblemáticas batalhas judiciais do país. O empresário que foi localizado por equipes de inteligência policia esteve 23 anos foragido do cumprimento real de sua pena, utilizando-se de recursos processuais e da liberdade provisória para evitar o cárcere desde a data do crime, em 2002.
A captura ocorreu na região turística da Praia do Forte. Segundo informações da polícia, Nahas levava uma vida discreta em um condomínio de alto padrão, longe dos holofotes da capital paulista. A operação envolveu o cruzamento de dados e monitoramento de rotina, culminando no cumprimento do mandado de prisão expedido pela Justiça de São Paulo após a decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF), que não cabe mais recursos.
O crime e a tese de defesa
O caso ocorreu em julho de 2002, quando a esposa do empresário, Fernanda Orfali, foi encontrada morta com um tiro no peito dentro do apartamento do casal, em um bairro nobre de São Paulo. Durante mais de duas décadas, a defesa de Nahas sustentou a tese de que Fernanda teria cometido suicídio.
Contudo, laudos periciais e a reconstituição do crime apontaram inconsistências fundamentais na versão do empresário, indicando que a posição da arma e a trajetória do disparo eram incompatíveis com um ato suicida. A motivação, segundo a acusação, envolveria brigas conjugais e o processo de separação do casal.
Decisão do STF
A prisão só foi possível após o trânsito em julgado da condenação no STF, que fixou a pena em 8 anos e 2 meses de prisão em regime fechado. O caso se tornou emblemático na justiça brasileira, em processos envolvendo réus de alto poder aquisitivo. Com a prisão efetivada, Sérgio Nahas deverá ser transferido para o sistema prisional de São Paulo para dar início ao cumprimento da sentença.
