A mãe de Isabelle Caracristi, estudante de Direito de 22 anos encontrada morta no pátio do condomínio onde o namorado morava, no bairro Aldeota, em Fortaleza, relatou preocupação com o relacionamento da filha antes da morte. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a professora Isorlanda Caracristi afirmou que havia alertado Isabelle e classificou o comportamento do homem como “extremamente controlador, fora do normal e obsessivo”.
Isabelle foi encontrada morta após a família ficar sem notícias dela entre domingo (13/9) e segunda-feira (14/9). Depois de não conseguir contato com a filha, Isorlanda foi até o condomínio e recebeu da administração a informação de que a estudante havia sido encontrada sem vida. As circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas.
Segundo Isorlanda, o namorado era cerca de dez anos mais velho que Isabelle e também era um dos chefes dela no estágio. A mãe relatou que ele dizia ser um dos sócios da empresa e teria articulado internamente para que a jovem fosse transferida para o mesmo setor em que trabalhava. Cerca de dez dias depois, os dois começaram a se relacionar.
Isorlanda afirmou que chegou a conversar com a filha sobre a proximidade entre os dois.
“Ela disse que o rapaz estava muito, muito próximo dela. Que não desgrudava dela e eu alertei: ‘Minha filha, ele é seu chefe, ele é mais velho, certo? Você é uma menina jovem e bonita, toma cuidado’. Porque nessa relaçãozinha de que está gostando muito do trabalho da pessoa e começa a dar muita atenção, isso aí uma menina jovem nem percebe que isso é assédio”, relatou.
A estudante passou a dormir com frequência na casa do namorado. Para a mãe, alguns comportamentos durante o relacionamento aumentaram a preocupação.
Em uma consulta ginecológica, Isorlanda contou que o homem tentou entrar no consultório antes dela para acompanhar Isabelle. A situação, segundo a professora, também chamou a atenção da médica.
“Quando eu vou entrar com a minha filha na sala, ele aparece já querendo entrar na minha frente. Gente, o que é isso? A médica também estranhou, tanto que perguntou: ‘É o marido dela?’ Eu disse: ‘Não. Ele é só um recém-namorado’. Ali já acendeu todos os meus alertas como mãe. Um comportamento muito louco”, afirmou.
Outro episódio relatado pela mãe envolveu questões financeiras. Segundo Isorlanda, Isabelle contou que o namorado havia pedido para usar o cartão de crédito dela e queria colocar uma empresa no nome da estudante.
“Ela veio me falar uma coisa estranhíssima: que ele tinha pedido para usar o cartão dela e queria botar uma empresa no nome dela. Gente, eu enlouqueci. Eu enlouqueci e briguei. Não quis mais deixar que ela voltasse, mas ela estava simplesmente apaixonada, muito apaixonada, a cabeça totalmente feita”, disse.
Circunstâncias da morte são investigadas
A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio do 2º Distrito Policial, investiga a morte de Isabelle. A família afirma ainda não ter respostas sobre o que aconteceu e pede que o caso seja esclarecido.
O laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) deverá determinar as circunstâncias da morte da estudante. A previsão informada é de que o documento possa levar até 30 dias para ser concluído.
De acordo com a família, o namorado de Isabelle e a mãe dele, que moravam no apartamento, não foram encontrados e não responderam às tentativas de contato feitas pelos familiares. Os dois também não compareceram ao velório e ao sepultamento da jovem, realizados na terça-feira (15/9).
Até o momento, portanto, não há conclusão oficial sobre a causa ou as circunstâncias da morte.
OAB pede apuração rigorosa
A Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE) divulgou uma nota neste sábado (19/9) em solidariedade à família, aos amigos e à comunidade acadêmica de Isabelle. A entidade também pediu uma investigação minuciosa do caso.
“Considerando a gravidade do ocorrido, em circunstâncias que ainda demandam o devido esclarecimento por parte das autoridades competentes, a OAB-CE solicita que a apuração seja conduzida com celeridade, rigor técnico, diligência e perspectiva de gênero”, afirmou a entidade.
A OAB-CE também defendeu que sejam analisadas as circunstâncias anteriores, simultâneas e posteriores à morte, com preservação das provas e sem antecipação de conclusões sobre o caso.