O ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula, Silvio Almeida, afirmou na terça-feira (31/3) ser “um homem inocente” em sua primeira declaração pública desde que foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
Em vídeo publicado no Instagram, Silvio afirmou que permaneceu em silêncio por responsabilidade, respeito à família e à lei, já que a investigação corre em sigilo. Segundo ele, sua defesa será apresentada na Justiça, onde poderá se manifestar plenamente. “Durante o inquérito, na prática, eu não pude me defender”, declarou.
O ex-ministro também sugeriu motivação política nas acusações, dizendo que há quem “incrimine uma pessoa inocente para eliminar um adversário ou erguer uma bandeira eleitoral baseada em mentira”.
Almeida afirmou ter sido retirado da vida pública de forma “violenta e injusta”, alegando que foi demitido em 24 horas, sem direito à defesa e antes de investigação formal. Segundo ele, passou a ser tratado como assediador após a divulgação das acusações. “Eu sou inocente e não vou me curvar a nenhum tipo de injustiça”, concluiu.
Em novembro, Almeida foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de importunação sexual contra Anielle Franco e a professora Isabel Rodrigues. A ministra relatou “atitudes inconvenientes”, como toques inapropriados e convites impertinentes, mas disse não ter denunciado antes por medo de descrédito.
O caso tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), com relatoria do ministro André Mendonça. Almeida foi demitido em setembro de 2024, após denúncias levadas à ONG Me Too. Em 2025, prestou depoimento à Polícia Federal por mais de duas horas.
Na ocasião da demissão, o governo federal afirmou que Lula considerou insustentável sua permanência no cargo diante das acusações. O caso também é apurado pela Comissão de Ética Pública da Presidência, na esfera administrativa.
Assista ao pronunciamento completo:
*Com Agência Estado
