O feriado de Nossa Senhora Aparecida e o Dia das Crianças, celebrados nesta segunda-feira (12/10), inspiram parte das indicações literárias da Rádio 98 para esta semana. Há livros que dialogam com a data, seja pela religiosidade, pela infância ou pelas relações entre diferentes gerações, e outros que são sugestões para todos os dias, passando por clássicos brasileiros, lançamentos, contos, fantasia e literatura estrangeira.
Ao todo, a Rádio 98 separou dez obras para diferentes públicos e momentos de leitura.
1. ‘A Cabeça do Santo’, de Socorro Acioli — Companhia das Letras
Para quem quer aproveitar o feriado de Nossa Senhora Aparecida com uma história atravessada pela fé e pela cultura popular brasileira, A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli, é uma das indicações da semana.
Publicado pela Companhia das Letras, o livro acompanha uma narrativa marcada por religiosidade, afetos e elementos da cultura nordestina.

2. ‘Terra’, de Yuri de Francco e Carol Fernandes — Companhia das Letrinhas
Uma das escolhas para o Dia das Crianças é Terra, de Terra, livro ilustrado de Yuri de Francco e Carol Fernandes, publicado pela Companhia das Letras e indicado para leitores a partir dos 6 anos.
A história acompanha a relação entre uma avó e a neta, construída mais pelos gestos do que pelas palavras. Enquanto cuida da terra e planta sementes, a avó transmite à menina ensinamentos, afeto e memórias.
O barro também ocupa espaço central na obra. A avó transforma a terra em máscaras e arte, em uma narrativa inspirada nas ceramistas do Vale do Jequitinhonha. As ilustrações de Carol Fernandes utilizam tintas naturais e ajudam a construir a relação entre as personagens.
O livro aborda ancestralidade, respeito aos mais velhos, cultura do interior brasileiro e os conhecimentos transmitidos entre diferentes gerações de mulheres negras.

3. ‘Coração sem Medo’, de Itamar Vieira Junior — Todavia
Para quem procura um romance contemporâneo, Coração sem Medo, de Itamar Vieira Junior, publicado pela Todavia, acompanha Rita Preta, operadora de caixa de supermercado e mãe de três filhos que vive em Salvador. A rotina da personagem muda quando um dos filhos, adolescente, desaparece sem deixar rastros.
A busca por respostas coloca Rita diante da violência que envolve o desaparecimento e, ao mesmo tempo, das próprias lembranças. Ela revisita a saída da casa da família no campo para trabalhar como empregada doméstica, a relação com a avó Carmelita e a culpa por um acidente envolvendo os irmãos.
O romance encerra a “Trilogia da terra”, iniciada por Torto Arado e seguida por Salvar o Fogo. A obra retoma a linhagem de Donana Chapéu Grande e aborda conflitos pela terra, deslocamento, violência, memória e ancestralidade.
Coração sem Medo é semifinalista do Prêmio Jabuti de 2026.

4. ‘Seminário dos Ratos’, de Lygia Fagundes Telles — Companhia das Letras
Publicado originalmente em 1977, Seminário dos Ratos reúne 14 contos de Lygia Fagundes Telles e é uma opção para quem prefere leituras mais curtas ao longo da semana.
Nas histórias, a escritora transita pelo fantástico para abordar amor, loucura, velhice, poder, morte e diferentes dimensões do comportamento humano. A autora alterna tempos e perspectivas narrativas ao longo da coletânea.
Publicado pela Companhia das Letras, o livro também integra a lista de leituras obrigatórias dos vestibulares da Unicentro e da Unioeste.

5. ‘Olhos d’água’, de Conceição Evaristo — Pallas Editora
Outra coletânea de contos da seleção é Olhos d’água, de Conceição Evaristo, publicada pela Pallas Editora.
A obra concentra o olhar sobre personagens da população afro-brasileira e aborda pobreza, violência urbana e diferentes relações sociais, familiares e afetivas.
Entre as personagens estão Ana Davenga, Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida e a menina Zaíta. Mães, filhas, avós, mulheres e homens aparecem em histórias atravessadas por diferentes formas de vulnerabilidade e pelas condições enfrentadas pela população negra brasileira.

6. ‘Auto da Compadecida’, de Ariano Suassuna — Nova Fronteira
Religiosidade, humor e cultura popular se encontram em Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, outra escolha que conversa diretamente com a data de Nossa Senhora Aparecida.
Escrita em 1955, a peça em três atos recria episódios da tradição popular e combina literatura de cordel, comédia, elementos do catolicismo brasileiro e referências culturais do Nordeste.
A linguagem oral e os regionalismos também marcam a obra. O texto projetou Ariano Suassuna nacionalmente e ganhou diferentes adaptações.
Em 2000, Auto da Compadecida inspirou o filme homônimo dirigido por Guel Arraes e estrelado por Selton Mello e Matheus Nachtergaele.

7. ‘A Mulher do Padre’, de Carol Rodrigues — Todavia
Infância e adolescência estão no centro de A Mulher do Padre, romance de Carol Rodrigues publicado pela Todavia.
Ambientada na década de 1990, a história acompanha Lina, uma menina que retorna ao Brasil com a família e tenta compreender o mundo ao redor enquanto atravessa os primeiros anos de vida e chega à adolescência.
Memórias reais e inventadas se misturam a referências culturais daquele período. A era Collor, brincadeiras infantis e outros elementos dos anos 1990 ajudam a construir uma narrativa sobre amadurecimento, descobertas e a formação de uma identidade.
É uma opção que também dialoga com o Dia das Crianças, especialmente pela maneira como recupera as percepções, dúvidas e memórias da infância.

8. ‘Caos Calmo’, de Sandro Veronesi — Autêntica
Para os leitores interessados em uma história sobre luto e as mudanças inesperadas da vida, a indicação é Caos Calmo, de Sandro Veronesi, publicado pela Autêntica.
O romance acompanha Pietro Paladini. Depois de salvar duas pessoas de um afogamento ao lado do irmão, ele retorna para casa e descobre que a noiva, Lara, morreu.
A partir daí, Pietro precisa lidar com a perda e cuidar da filha, Claudia. No primeiro dia de aula da menina, ele decide permanecer do lado de fora da escola durante todo o período. O gesto se repete nos dias seguintes e se transforma no ponto de partida para a maneira particular como o personagem enfrenta o luto.
A obra rendeu a Veronesi seu primeiro Prêmio Strega e também venceu o Prix Femina Étranger.

9. ‘Vidas Secas’, de Graciliano Ramos — Record
Um dos maiores clássicos da literatura brasileira também entra na seleção. Publicado originalmente em 1938, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, acompanha uma família de retirantes obrigada a se deslocar pelo sertão nordestino em busca de condições para sobreviver.
Fabiano, Sinha Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia atravessam uma paisagem castigada pela seca. A obra aborda miséria, desigualdade e a relação dos personagens com a terra.
O romance tem 13 capítulos e uma estrutura que não depende de uma sequência temporal rígida. A edição da Record é a única autorizada pelo Instituto Graciliano Ramos e parte dos direitos autorais é destinada à ONG Innocence Brasil.

10. ‘O Gigante Enterrado’, de Kazuo Ishiguro — Companhia das Letras
Para fechar a lista, O Gigante Enterrado, de Kazuo Ishiguro, publicado pela Companhia das Letras, é uma opção para quem procura fantasia, aventura e uma reflexão sobre memória, amor e guerra.
A história se passa em uma terra marcada por conflitos recentes e atingida por uma misteriosa névoa do esquecimento. Nesse cenário, um casal parte em uma jornada à procura do filho e, durante o caminho, precisa enfrentar diferentes ameaças enquanto a própria relação é colocada à prova.
Com elementos da tradição arturiana, o romance transita entre a fantasia e o lirismo para explorar uma questão central: o que acontece com os sentimentos e os vínculos construídos ao longo de uma vida quando as lembranças que os sustentam começam a desaparecer?
A obra marcou o retorno de Ishiguro ao romance depois de uma década e aproxima o universo do escritor da fantasia épica. O autor recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 2017.
