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Deputada Lohanna França em entrevista na 98 News nesta quinta-feira (98 News/Reprodução)

Deputada Lohanna França em entrevista na 98 News nesta quinta-feira (98 News/Reprodução)

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A deputada estadual Lohanna França (PV) afirmou que Minas Gerais será um dos estados mais prejudicados pelo novo “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Em entrevista à 98 News, nesta quinta-feira (10/7), a parlamentar questionou a reação do governador Romeu Zema (Novo) e classificou como “irresponsável” a postura do presidente Donald Trump.

“Na verdade, a gente tá pagando a conta dos patriotas do país dos outros, né? É isso que a gente está pagando. Porque o que o governador Romeu Zema está dizendo é uma desconexão completa da realidade, completa.”

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Minas é o segundo maior exportador de café do Brasil, e os Estados Unidos são o principal comprador. “As consequências são muito graves”, disse. Segundo ela, o impacto se estenderá à cadeia do aço, celulose, etanol e laranja.

“Minas Gerais será o segundo estado mais prejudicado do país. As exportações do agro das quais ele tanto se gabou serão prejudicadas, os empregos serão prejudicados e esse é o momento efetivamente de defender a nossa soberania nacional e de dizer que o Brasil efetivamente tem que ser bom pros brasileiros e não para outro país.”

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Proposta do governo estadual causa desconforto entre deputados

A deputada também criticou a forma como o governo estadual tem tratado o programa Propag, que prevê abatimento da dívida dos estados com a União. Segundo ela, o pacote de ativos enviados pelo governo à Assembleia — incluindo Codemig, prédios públicos e até a UEMG — precisa ser debatido com responsabilidade.

“O governador tem tentado vestir o Propag com a roupa do partido Novo, tentando vestir o Propag com a roupa da privatização, com a roupa do entreguismo. Mas a gente tá lá na Assembleia fazendo um movimento muito forte e devo dizer: para além da oposição, há deputados da base do governo […] muito desconfortáveis com essa situação.”

Segundo ela, há uma tentativa de confundir o debate e sinalizar à base bolsonarista. “Vamos lembrar que ele passou quatro anos como governador com o Bolsonaro na presidência da república e não teve capacidade política de construir uma alternativa melhor. Todo mundo já ficou devendo na vida. Quem tá devendo tenta renegociar e tenta encontrar termos melhores.”

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Escolas cívico-militares geram questionamentos

Lohanna também falou sobre a audiência pública que será realizada na Assembleia para discutir a proposta do governo de Minas de transformar 700 escolas estaduais em cívico-militares. Segundo ela, o projeto carece de base legal, clareza orçamentária e planejamento.

“É um panfleto. Uma lista de desejos extremamente mal feita […] O que a gente percebe é que essa é mais uma tentativa do governador de sinalizar para a extrema direita.”

Ela comparou a proposta com o Colégio Tiradentes, da Polícia Militar, elogiando sua qualidade, mas alertou para o custo triplo em relação às escolas regulares.

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“Você quer fazer escola que vai ter militar lá dentro? Faz direito. Faz Colégio Tiradentes. Agora, colégio cívico-militar é o quê? […] Não tá claro ali, esse militar vai estar fardado ou não? Vai estar armado ou não? A quem ele responde?”

Ameaças a parlamentares e a linha que ‘não pode ser cruzada’

A deputada relembrou o caso de ameaças sofridas por ela e outras deputadas em 2022. O autor foi recentemente condenado. “Esse nível de gente, quando são condenados, passam um recado muito claro para todo mundo que pensa em extrapolar suas possibilidades de atuação.”

“Você não precisa gostar do meu trabalho, como você não precisa gostar do trabalho da deputada Bela. Nos vença nas urnas, nos vença nos argumentos, nos vença no diálogo, nos vença de outras formas, mas não ameaçe a nossa vida e a vida das pessoas que a gente ama.”

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LDO prevê redução de déficit, mas cenário ainda é incerto

A deputada destacou dois pontos sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026. O primeiro é que a projeção de melhora das contas públicas pode não se confirmar caso as tarifas americanas entrem em vigor. O segundo é a falta de cumprimento de obrigações legais pelo Estado, como a aplicação do Fundo Estadual de Cultura.

“A perspectiva de que a gente tá efetivamente matando a vaca para arrancar um bife me preocupa muito.”

Ela também defendeu a presença de psicólogos e assistentes sociais nas escolas, prevista em lei federal, mas não cumprida pelo Estado.

“Hoje, o governo de Minas tem uma resolução porca e mal feita que fala que só vai ter psicólogo e assistente social atendendo nas cidades que têm mais de seis escolas estaduais. […] A exceção é se tiver algum acontecimento que coloque em risco a escola. Tomara que não seja uma morte.”

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Roberth R Costa

Atuo há quase 13 anos com jornalismo digital. Coordenador Multimídia. Rede 98 | 98 News

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