O acesso ao crédito foi um principais temas da ALAGRO Summit 2026, evento da Academia Latino-Americana do Agronegócio, realizado nesta terça-feira. O encontro que reuniu algumas das principais lideranças do setor para debater os desafios e as oportunidades do agronegócio brasileiro com foco em sustentabilidade, inovação, mercado internacional e os gargalos que ainda travam o crescimento da produção no país.
Um dos temas centrais foi o financiamento da produção rural e a necessidade de ampliar o acesso ao crédito, especialmente em um cenário de transformação tecnológica e exigências cada vez maiores do mercado internacional. O advogado Eric Nahum destacou a importância do crédito rural e do mercado de capitais para sustentar o crescimento do agro.
“A gente vem passando os últimos anos em um momento complexo no agro. O agronegócio é uma atividade capital intensivo, como a gente bem sabe, e muitos produtores e as empresas do segmento dependem de crédito no mercado. Vimos nos últimos anos uma enxurrada de recuperações judiciais no agronegócio e o mercado de capitais vem se estruturando para poder ajudar, de uma certa forma, esses empresários a conseguirem levantar crédito, a fazerem as suas rodadas de captação em bolsa, rodadas de captação privada”, explicou.
Foram discutidos temas estratégicos, como os impactos das mudanças climáticas após a COP 30, acordos comerciais, avanços científicos no campo e o papel do Brasil no cenário global da produção de alimentos e energia.
A abertura contou com a presença o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues e do presidente da ALAGRO, Manoel Mário de Souza Barros. Ele destacou a importância de integrar diferentes áreas do setor para enfrentar os principais gargalos e fortalecer o desenvolvimento do agro brasileiro.
“Defender o Brasil e levar o conhecimento no campo, discutindo diretamente com aquele que produz, é muito importante, até porque um dos grandes gargalos hoje do Brasil é a falta de conectividade do campo, e por consequência, não há escoamento da produção. Nós não temos estradas, não temos ferrovias, não temos hidrovias, não temos portos modernos. O Brasil está atrasadíssimo. O país tem uma potência agroambiental insufismável, e nós precisamos defender aquele que produz, aquele que acorda de madrugada, fazendo chuva, fazendo sol, e produz a comida. Isso nós não vamos abrir mão”, comentou.
A necessidade de ampliar a eficiência produtiva com sustentabilidade e o avanço de modelos como a agricultura regenerativa e a agricultura de precisão ganharam destaque. O deputado federal Lafayette de Andrada, um dos palestrantes no evento, chamou atenção para um dos principais entraves do setor: a burocracia.
“O Brasil é admirado no mundo inteiro pelo seu agro, e já mostrou que não existe nenhum país que tenha a produtividade e a eficiência que tem. Mas o Brasil enfrenta um grande problema, que é a burocracia. O dia que o governo enxergar que a grande fronteira do Brasil é a agricultura e destravar essa pauta, o Brasil vai ser a grande potência. Mas enquanto o governo estiver trabalhando para atrapalhar, nós vamos ter muitas dificuldades”, explicou o deputado.
A programação também incluiu debates sobre os efeitos da geopolítica mundial no agronegócio brasileiro, mostrando como fatores externos, como conflitos internacionais e relações comerciais, impactam diretamente a produção e as exportações.
