Enquanto o comércio de Minas Gerais mantém ritmo de crescimento acima da média brasileira, o setor de serviços segue enfrentando dificuldades e apresenta desempenho inferior ao registrado no país. Os dados fazem parte de um relatório divulgado pelo Sebrae Minas e mostram cenários distintos para dois dos principais segmentos da economia estadual no primeiro trimestre de 2026.
No comércio, o volume de vendas em Minas Gerais cresceu 5,1% entre janeiro e março deste ano na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado supera com folga a média nacional, que avançou 1,9% no mesmo intervalo. Apesar da queda de 0,9% registrada em março frente a fevereiro, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de alta, o desempenho do setor segue positivo no acumulado do ano.
Entre os segmentos que mais contribuíram para o crescimento estão as vendas de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, o atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, artigos farmacêuticos, veículos e motocicletas, além de outros artigos de uso pessoal. Em contrapartida, os setores de móveis, combustíveis e lubrificantes, tecidos, vestuário e calçados e materiais de construção registraram retração.
A expectativa é de que o comércio mantenha trajetória de crescimento gradual ao longo de 2026. Segundo o Sebrae Minas, fatores como a reforma do Imposto de Renda, programas de incentivo ao consumo de determinados bens e os impactos econômicos da Copa do Mundo devem ajudar a sustentar a atividade. O programa Desenrola 2.0 também pode contribuir para reduzir temporariamente o endividamento das famílias e ampliar a capacidade de consumo no segundo semestre.
Serviços vão na contramão
Já o setor de serviços vive um cenário oposto. Em março, a atividade registrou queda de 0,7% em relação a fevereiro, acumulando quatro meses consecutivos de retração na série dessazonalizada. No acumulado do primeiro trimestre, o volume de serviços em Minas Gerais recuou 1,6% frente ao mesmo período de 2025, enquanto o setor avançou 2,3% na média nacional.
Entre os poucos segmentos que apresentaram crescimento estão os serviços de informação e comunicação e o grupo classificado como ‘outros serviços’. Por outro lado, os maiores recuos foram observados nos serviços prestados às famílias, atividades turísticas e serviços profissionais, administrativos e complementares.
De acordo com a análise do Sebrae Minas, o setor deve continuar enfrentando desafios nos próximos meses. As condições de crédito mais restritivas tendem a reduzir o ritmo de consumo das famílias, embora o mercado de trabalho ainda aquecido funcione como um fator de sustentação da demanda. Além disso, a inflação de serviços permanece elevada e o aumento dos custos com combustíveis, influenciado pelas oscilações do mercado internacional de petróleo, pode limitar a recuperação da atividade.