A Drogaria Araujo entra no ano em que completa 120 anos, com uma combinação que explica o avanço recente no varejo farmacêutico: ganho de escala, aposta em marca exclusiva e reforço da operação logística.
A projeção é fechar 2026 com faturamento próximo a R$ 6 bilhões, mantendo um ritmo de crescimento entre 15% e 18% ao ano que vem desde 2021 – acima do observado em boa parte do varejo tradicional.
Mais do que crescimento, o movimento indica uma mudança de posição no mercado: a rede amplia controle sobre preço, margem e distribuição, em um setor cada vez mais competitivo e concentrado.
Marca própria: mais margem e disputa com a indústria
Um dos pilares dessa estratégia é a marca Mió, lançada há quatro anos.
“Hoje são mais de 500 SKUs com a marca Mió, em várias categorias”, afirma o diretor logístico e financeiro, Antônio Araújo Neto. Segundo ele, a lógica segue modelos internacionais. “Como as grandes redes americanas, a ideia é ter a marca própria para levar ao cliente um produto de extrema qualidade com preço mais competitivo.”
Na prática, o avanço da marca exclusiva reposiciona a empresa dentro da cadeia: além de vender produtos de terceiros, a rede passa a capturar uma fatia maior do valor gerado – o que ajuda a sustentar crescimento mesmo em cenários de pressão de preço.

Logística vira ativo central para crescer
Se a marca própria melhora margem, a logística garante escala.
Em Contagem, o centro de distribuição da empresa passou por expansão recente e saiu de cerca de 27 mil para 35 mil metros quadrados. A estrutura é responsável por abastecer toda a rede, que hoje soma 360 lojas em 65 municípios mineiros.
“Esse ano especificamente estamos fazendo a expansão do nosso centro de distribuição para sustentar esse crescimento para os próximos cinco anos”, afirma Araújo Neto.
A dimensão da operação ajuda a entender o investimento. “A gente deve chegar a entregar em torno de 1 milhão e 200 mil unidades de produtos por dia”, diz. Segundo ele, a ampliação é necessária para manter o nível de serviço diante do aumento da demanda.
A estratégia aponta para um ponto-chave do varejo atual: crescimento sem eficiência logística tende a gerar ruptura, perda de venda e aumento de custo.
Expansão mira interior e e-commerce nacional
A expansão física continua no radar. Para 2026, a empresa prevê abrir 31 novas lojas, com foco em regiões como Norte e Sul de Minas e o Vale do Aço.
Mas o avanço não é apenas territorial.
“Com essa expansão, a gente deve chegar a 500 lojas em Minas e atender todo o Brasil através do nosso e-commerce”, afirma o executivo. A projeção de longo prazo acompanha o plano: “a perspectiva é atingir até 2028 cerca de 8 bilhões de faturamento”.
O movimento indica uma tentativa de equilibrar dois vetores: manter a força regional – principal diferencial da marca – e ampliar presença digital para além do estado.
Digital muda consumo, mas mantém loja relevante
A digitalização já altera o comportamento do cliente e influencia a operação da rede.
“Grande parte de Belo Horizonte compra pelo digital e pega na loja”, afirma Araújo Neto. Segundo ele, o avanço do online não elimina o ponto físico. “O digital é uma comodidade. A loja física, atendendo bem, não deixa de existir e continua com protagonismo.”
O modelo híbrido – compra online com retirada em loja – reduz custo logístico, aumenta fluxo nas unidades e melhora a experiência do consumidor. Ao mesmo tempo, exige integração entre canais e gestão mais eficiente de estoque.

O que está em jogo no crescimento da Araujo
O avanço da Araujo acontece em um momento de transformação do varejo farmacêutico no Brasil, marcado por consolidação, ganho de escala e pressão por eficiência.
Nesse cenário, três movimentos da rede mineira se destacam:
- Verticalização parcial, com marca própria
- Fortalecimento logístico, para sustentar escala
- Integração digital, sem abrir mão da loja física
Ao completar 120 anos, a empresa tenta dar um passo além do posicionamento tradicional de rede regional: busca crescer mantendo presença local forte, mas com estrutura capaz de competir em um mercado cada vez mais nacional e digital.
