O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a levantar questionamentos sobre as urnas eletrônicas durante um encontro com representantes de cerca de 40 países, realizado em Brasília.
Em evento privado, ele afirmou que o Brasil utiliza equipamentos da empresa venezuelana Smartmatic e defendeu o envio de observadores internacionais para acompanhar as eleições de outubro.
Na reunião, Flávio citou um suposto relatório da CIA que associaria a Smartmatic a fraudes nas eleições da Venezuela em 2012. O senador, no entanto, afirmou que não estava questionando o sistema eleitoral brasileiro, mas sustentou que especialistas estrangeiros deveriam acompanhar o processo de votação no país.
“Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”, declarou.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu essa associação. Segundo a Corte, as urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras são desenvolvidas por servidores da Justiça Eleitoral e fabricadas por empresas contratadas por meio de licitação pública.
O tribunal também afirma que a Smartmatic nunca forneceu urnas ao Brasil e que a empresa prestou apenas serviços de conexão de dados e voz em processos eleitorais anteriores. A partir das eleições de 2020, a fabricação dos equipamentos passou a ser feita pela Positivo Tecnologia.
As declarações sobre o sistema eleitoral retomam um discurso já adotado anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto a Justiça Eleitoral mantém a posição de que o modelo brasileiro de votação eletrônica é desenvolvido e administrado integralmente pela própria instituição, sem utilização de urnas produzidas pela Smartmatic.